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NINE SECONDS
AGGRESSIONS Por Lucas Alonso Primeiramente,
desde o inicio da banda ,até os dias de hoje, o que mudou em relação
às melodias e as letras abordadas nas canções? Thiago Lira: Desde que assumi os vocais tentei manter as melodias das músicas já existentes acrescentando apenas algumas variações. Meu timbre de voz é totalmente diferente do timbre do Vinícius que também tem algumas características peculiares na sua maneira de cantar. Acredito que o resultado vem sendo satisfatório,(pelo menos até agora (risos). Bruno Camargo: Desde o começo da banda até os dias de hoje as melodias e as letras abordadas sempre seguiram a mesma linha. Na parte da melodia sempre procuramos aliar o que há de melhor em tudo que gostamos na música, claro seguimos uma linha de um hardcore um pouco mais agressivo, mas ouvimos de tudo, desde hardcore melódico, old school, straight edge, heavy metal, grunge, entre outros. Nunca tivemos nenhum tipo de preconceito quanto isso, se o som sai legal e nós gostamos a gente põe na música. Antes
de vocês se tornarem um power-trio,vocês eram formados por
mais integrantes,como é uma mudança de uma banda de mais
de 3 pessoas para um power-trio? Isso afeta ou dificulta em alguma parte? Thiago Lira: Foi um grande desafio pra mim assumir os vocais do Nine. Eu tinha tido uma experiência anterior com a minha primeira banda o Degraudelado em 2001, mas no Nine as músicas tinham uma pegada diferente, mais agressiva. Senti uma certa dificuldade nos primeiros ensaios mais depois tudo foi se encaixando e hoje podemos dizer que a banda achou um caminho. Um fator importantíssimo pra essa nova formação emplacar foi o fato de sermos grandes amigos há muito tempo e de termos começado juntos no underground. Bruno Camargo: Durante quase dois anos nós fomos um quarteto e a banda teve um começo muito legal, porém, com o tempo os problemas de relacionamento começaram a se tornar freqüentes, e também começamos a ter muitos problemas para aliar os compromissos de todos com os compromissos da banda. Foi isso que levou o Felipe a deixar a banda. Uns 3 meses depois o Vinicius deixou a banda alegando problemas de saúde. Ficamos uns 2 meses parados, porém, foi aí que começamos a nos unir mais, eu o Brunão e o Lira. Mesmo sem vocalista começamos a ensaiar na casa do Thiago pelo simples prazer de tocar e fazer um som, e em todas as brincadeiras cada vez mais gostávamos do vocal do Thiago. Chegamos a fazer testes com um baixista, mas vimos que ele não tinha a pegada que queríamos, então começamos a amadurecer cada vez mais a idéia de formarmos um power-trio. Demos uma “intimada” no Lira e ele topou na hora. Como o Thiago disse acima também, o fato de sermos grandes amigos contou muito para fecharmos essa formação. Todos
sabemos que suas influências variam do hardcore melódico
até o hardcore old school e outras vertentes,vocês poderiam
citar 4 grandes influências da banda? Thiago Lira: Eu ouço de tudo cara, de Pantera a Mutantes, de Black Flag a Jorge Ben. Gosto muito das bandas dos anos 90 tipo Texas is the Reason, Pavement, Smashing Pumpkings, Sonic Youth, Nirvana. Ultimamente estou viciado em Coheed and Cambria ouço sem parar todos os dias. Mas as influências mais fortes no Nine são Hot Water Music, Rise Against, Strike Anywhere e Belvedere. Bruno Camargo: Nós três temos um gosto bastante eclético, eu gosto muito de Iron Maiden, Los Hermanos, Foo Fighters, Coheed And Cambria, Tim Maia entre outros. Também ouço muito Dead Fish, Noção de Nada, Mukeka di Rato, Discarga e Nitrominds. Mas dentro da banda as maiores influências que são unanimidades mesmo são Hot Water Music, Strike Anywhere, Belvedere e Garage Fuzz. O
que vocês pensam de organizadores de festivais,que colocam mais
de 20 bandas num mesmo dia numa casa de show, e, além disso, obrigam
as bandas a venderam muitos convites a preços absurdos? Thiago Lira: Isso fode a vida. Nós procuramos não tocar em eventos desse tipo porque fica impossível vender todos os convites que nem sempre são baratos. Outra coisa que nos afasta desse tipo de evento é o descaso com as bandas. Acabam acontecendo até brigas por conta da programação bagunçada. Eu não gosto. Bruno Camargo: São uns sanguessugas que chupam todo o dinheiro das bandas, colocam elas para tocar com uma infra-estrutura precária e queimam muitas bandas por isso. Eles colocam uma banda grande para fechar e 20 para abrir, as bandas tocam com uma aparelhagem ruim, com um tempo escasso e muitas vezes com um público hostil, pois a grande maioria que está lá, foi somente para assistir a banda grande. O 9 Seconds nunca participou desses festivais e se depender de mim nunca vai participar. Somos totalmente contra essa idéia de pagar para tocar, e eu acho e tenho exemplos que há um outro caminho a seguir. Já
relacionando com a pergunta anterior,o que deixa vocês mais revoltados
em relação à cena atual e o que deixa vocês
mais contentes? Thiago Lira: Faz tempo que fujo um pouco da tal “cena”. Acho que o que define uma banda ou qualquer tipo de manifestação cultural, artística ou sei lá o que é o que ela transmite de verdadeiro, e não é um rótulo ideológico. Não é porque eu gosto de uma banda como o Sick of it All por exemplo que eu não vá poder ouvir ou ir a um show de uma banda que não segue a mesma linha. Com o tempo que a gente tem de estrada já vimos essa “cena” trocar de roupa e de sonoridade algumas vezes. Bruno Camargo: Assim como o Brunão eu acho que não tem cena. Talvez tenha existido em outras épocas mas isso tudo morreu. Hoje em dia o que rola são os Straight Edges de um lado fechando a panela deles, e do outro lado as bandas emos que estão estourando na rádio. No meio existem várias bandas perdidas, algumas sobreviventes com seu público fiel, casos do Garage Fuzz, Dead Fish, mas muitas bandas boas estão se perdendo pois a cena aqui de São Paulo e região pelo menos morreu. O que rola hoje é você fazer o seu próprio rolê, encontrar amigos, encontrar boas bandas e você mesmo ir criando seu próprio circulo. A cena de hoje é cada um por si.
Thiago Lira: Os shows que fizemos em Campinas nem foram tão legais se compararmos com outros shows, porém a trip vai ficar marcada pra todos, principalmente pra mim. O show que o Brunão citou também foi bem importante o lugar estava bastante cheio e a gente tava se cagando todo, mas no final deu tudo certo. O ultimo show que fizemos no Los Manos Bar em Ibiúna com o Somático e com o Enfrente foi muito fodido também. Bruno
Camargo: Temos muitos shows marcantes, teve uma mini-turnê
que fizemos com o pessoal do Rockillers de Campinas, os shows não
foram tão bons, mas nunca nos divertimos tanto. O melhor show da
banda, na minha opinião, foi na cidade de Piedade no Moshcore Fest. Thiago Lira: Sem duvida o Nervo e o SangueXódioXhc são duas bandas das antigas que eu admiro muito e que continuam levando um público fiel pros shows. Toquei batera na primeira formação do Sangue e chegamos a dividir o palco com o Nervo algumas vezes. Passado todo esse tempo percebi o quanto as duas bandas amadureceram e definiram uma identidade, o que é muito bom para a região. Da nova geração de bandas que vem surgindo gosto muito do Somático e da sua pegada “Fugaziada” (risos) e o Enfrente de Ibiúna é uma banda que me surpreendeu bastante já nos primeiros shows, eu aposto nos caras. Bruno Camargo: Eu curto muito o Rockillers de Campinas, não só pela amizade que temos com os caras, mas pela qualidade da banda. Gostei muito também do Somático de São Roque, os caras tem uma proposta muito legal e o som é muito bom, embora ainda falte um baixo (risos). Temos também o Nervo de Votorantim que é velho de estrada e sempre que tocam em Ibiúna quebram tudo. Agora de Ibiúna o grande destaque tem sido o Enfrente, essa banda que surgiu agora e que tem tudo pra dar certo. Os moleques mandam muito bem com músicas próprias o som tem uma baita identidade e eles têm tudo pra dar certo. Quais
são os planos para 2009 da banda?Em relação a E.P,
CD e shows? Thiago Lira: Chegamos a começar uma conversa a respeito de uma parceria em um split com uma outra banda. Ainda não temos detalhes e nem sabemos se vai mesmo rolar mas é uma idéia que temos discutindo nos últimos meses. Aguardem sinais. Bruno Camargo: Em 2008 o nosso guitarrista teve um sério problema de saúde e tivemos que ficar quase 7 meses parados. Em 2009 pretendemos compensar todo esse tempo parado, entrar a todo vapor, tocar no máximo de lugares possível e finalmente conseguirmos gravar o nosso EP. Para
finalizar, uma mensagem a galera que curte e apóia sempre a banda? Bruno
Camargo: Viva o Cúrintia!!!
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