NINE SECONDS AGGRESSIONS

Nesta entrevista, conversamos com a galera do Nine Seconds Aggression, uma banda já clássica de Ibiúna e que sempre teve um grande destaque na cena da região.

Por Lucas Alonso

Primeiramente, desde o inicio da banda ,até os dias de hoje, o que mudou em relação às melodias e as letras abordadas nas canções?
Bruno Machado
: Em relação às letras, não houve mudança significativa, pois a proposta do Nine Seconds Aggression é, justamente, fazer uma abordagem crítica. Desde 2004, quando formamos a banda, até hoje, continuamos cantando a respeito de temas que dizem respeito ao atual cenário em esfera nacional e internacional, como política (Black earth), autolibertação (Avoid, When you need to face it), terrorismo (Brotherhood of pain, Welcome to our Days), massificação via mídia (Always on the edge, Itatinga) etc. A diferença é que, embora cantemos em inglês, temos uma preocupação com a mensagem que passamos. Tem de ser algo consistente, não adianta fazer uma letra sobre política dizendo simplesmente “são um bando de filhos-da-puta”, pois não é bem por aí. Eu, particularmente, quando faço uma letra, tento colocar um ponto de vista que não seja apenas meu, mas que diga respeito, também, às crenças e ideologias do resto da banda. Nós discutimos juntos, sempre com o propósito de apresentar algo bem elaborado e que fuja de discursos pré-formatados. Talvez seja por isso que o Nine Seconds produz em um ritmo mais “lento”, uma vez que no que diz respeito às composições – tanto em parte de letras quanto de música – gostamos de apresentar algo que já foi amadurecido, discutido, visto e revisto por diversos ângulos. A propósito, temos uma comunidade no Orkut com praticamente todas as letras e respectivas traduções dos nossos sons para quem quiser dar uma sacada.

Thiago Lira: Desde que assumi os vocais tentei manter as melodias das músicas já existentes acrescentando apenas algumas variações. Meu timbre de voz é totalmente diferente do timbre do Vinícius que também tem algumas características peculiares na sua maneira de cantar. Acredito que o resultado vem sendo satisfatório,(pelo menos até agora (risos).

Bruno Camargo: Desde o começo da banda até os dias de hoje as melodias e as letras abordadas sempre seguiram a mesma linha. Na parte da melodia sempre procuramos aliar o que há de melhor em tudo que gostamos na música, claro seguimos uma linha de um hardcore um pouco mais agressivo, mas ouvimos de tudo, desde hardcore melódico, old school, straight edge, heavy metal, grunge, entre outros. Nunca tivemos nenhum tipo de preconceito quanto isso, se o som sai legal e nós gostamos a gente põe na música.

Antes de vocês se tornarem um power-trio,vocês eram formados por mais integrantes,como é uma mudança de uma banda de mais de 3 pessoas para um power-trio? Isso afeta ou dificulta em alguma parte?
Bruno Machado: Até 2006, nós éramos um quinteto, com o Vinícius Góes no vocal e o Felipão Fiúza no baixo. Primeiro, foi o Felipe quem saiu, deixando a vaga para o Lira assumir. Meses depois, o Vinícius avisou que estava saindo por problemas de saúde. Aquela foi uma boa época, mas, hoje, passado o “trauma” inicial eu digo que prefiro o formato do power-trio – até porque eu já havia passado pela experiência com minha outra banda, Mr.Bozo. Acredito que meus colegas de banda compartilham da mesma opinião de que quanto menos pessoas, mais fácil para administrar. Talvez, se não tivesse sido daquela maneira, com a saída de algumas pessoas, hoje o Nine Seconds não existisse mais. Os problemas de relacionamento estavam se tornando cada vez mais freqüentes e intensos.

Thiago Lira: Foi um grande desafio pra mim assumir os vocais do Nine. Eu tinha tido uma experiência anterior com a minha primeira banda o Degraudelado em 2001, mas no Nine as músicas tinham uma pegada diferente, mais agressiva. Senti uma certa dificuldade nos primeiros ensaios mais depois tudo foi se encaixando e hoje podemos dizer que a banda achou um caminho. Um fator importantíssimo pra essa nova formação emplacar foi o fato de sermos grandes amigos há muito tempo e de termos começado juntos no underground.

Bruno Camargo: Durante quase dois anos nós fomos um quarteto e a banda teve um começo muito legal, porém, com o tempo os problemas de relacionamento começaram a se tornar freqüentes, e também começamos a ter muitos problemas para aliar os compromissos de todos com os compromissos da banda. Foi isso que levou o Felipe a deixar a banda. Uns 3 meses depois o Vinicius deixou a banda alegando problemas de saúde. Ficamos uns 2 meses parados, porém, foi aí que começamos a nos unir mais, eu o Brunão e o Lira. Mesmo sem vocalista começamos a ensaiar na casa do Thiago pelo simples prazer de tocar e fazer um som, e em todas as brincadeiras cada vez mais gostávamos do vocal do Thiago. Chegamos a fazer testes com um baixista, mas vimos que ele não tinha a pegada que queríamos, então começamos a amadurecer cada vez mais a idéia de formarmos um power-trio. Demos uma “intimada” no Lira e ele topou na hora. Como o Thiago disse acima também, o fato de sermos grandes amigos contou muito para fecharmos essa formação.

Todos sabemos que suas influências variam do hardcore melódico até o hardcore old school e outras vertentes,vocês poderiam citar 4 grandes influências da banda?
Bruno Machado:
Nossas influências vão desde coisas que não têm nada a ver com hardcore, como Black Sabbath, Iron Maiden, Los Hermanos e Guns and Roses.Há algumas coisas, no entanto, que são unanimidade, como Ratos de Porão, Garage Fuzz, Belvedere, Hot Water Music e Strike Anywhere, por exemplo. Eu, particularmente, gosto de umas coisas mais velhas, principalmente da cena de Nova York e da Califórnia dos anos 1990, como Agnostic Front, Sick of It All, Pennywise e a fase antiga do NOFX. Das bandas mais atuais, curto muito Comeback Kid, With Honor, Shai Hulud e coisas desse tipo.

Thiago Lira: Eu ouço de tudo cara, de Pantera a Mutantes, de Black Flag a Jorge Ben. Gosto muito das bandas dos anos 90 tipo Texas is the Reason, Pavement, Smashing Pumpkings, Sonic Youth, Nirvana. Ultimamente estou viciado em Coheed and Cambria ouço sem parar todos os dias. Mas as influências mais fortes no Nine são Hot Water Music, Rise Against, Strike Anywhere e Belvedere.

Bruno Camargo: Nós três temos um gosto bastante eclético, eu gosto muito de Iron Maiden, Los Hermanos, Foo Fighters, Coheed And Cambria, Tim Maia entre outros. Também ouço muito Dead Fish, Noção de Nada, Mukeka di Rato, Discarga e Nitrominds. Mas dentro da banda as maiores influências que são unanimidades mesmo são Hot Water Music, Strike Anywhere, Belvedere e Garage Fuzz.

O que vocês pensam de organizadores de festivais,que colocam mais de 20 bandas num mesmo dia numa casa de show, e, além disso, obrigam as bandas a venderam muitos convites a preços absurdos?
Bruno Machado:
Para mim, são uns filhos-da-puta que não estão nem um pouco preocupados com o som ou com a proposta das bandas. O que eles dizem, nas entrelinhas, é: “Caras, eu só quero saber da grana”. Esses eventos são uma bosta para todo mundo, exceto para o organizador, que enche o bolso de dinheiro. As bandas que se sujeitam a isso, coitadas, muitas vezes têm de pagar para tocar. O público, por outro lado, é obrigado a aturar uma infinidade de grupos tocando antes da atração principal e, muitas vezes, o talento dessas bandas é praticamente inexistente. Hoje, as coisas dentro do hardcore estão tão ruins que um garoto de 16 anos que começou a tocar na semana passada já pode “abrir” o show de seus ídolos. Basta ele ter a grana para bancar a cota de ingressos. Isso é uma merda, ao meu ver, pelo fato de fazer com que você pule algumas etapas. Eu não tenho nada contra quem se sujeita a esse tipo de conduta, pelo contrário. Eu mesmo já fiz isso uma ou duas vezes, com minha antiga banda. Essa, porém, é uma experiência que jamais pretendo reviver, pelo simples fato de não ter nada a ver com o verdadeiro espírito do hardcore.

Thiago Lira: Isso fode a vida. Nós procuramos não tocar em eventos desse tipo porque fica impossível vender todos os convites que nem sempre são baratos. Outra coisa que nos afasta desse tipo de evento é o descaso com as bandas. Acabam acontecendo até brigas por conta da programação bagunçada. Eu não gosto.

Bruno Camargo: São uns sanguessugas que chupam todo o dinheiro das bandas, colocam elas para tocar com uma infra-estrutura precária e queimam muitas bandas por isso. Eles colocam uma banda grande para fechar e 20 para abrir, as bandas tocam com uma aparelhagem ruim, com um tempo escasso e muitas vezes com um público hostil, pois a grande maioria que está lá, foi somente para assistir a banda grande. O 9 Seconds nunca participou desses festivais e se depender de mim nunca vai participar. Somos totalmente contra essa idéia de pagar para tocar, e eu acho e tenho exemplos que há um outro caminho a seguir.

Já relacionando com a pergunta anterior,o que deixa vocês mais revoltados em relação à cena atual e o que deixa vocês mais contentes?
Bruno Machado:
Eu aprendi uma coisa: não existe cena. O que rola, na verdade, é você fazer seus corres sozinhos, encontrando verdadeiros amigos no caminho e firmando seus laços de amizade. Isso é o que me deixa feliz. Mas, se for para citar algo que me deixa puto dentro do rolê é essa molecada de começou a ouvir som ontem e que, hoje, aponta o dedo para tudo e para todos como donos da razão. Isso é algo que sempre existiu e sempre vai existir, mas acho que atualmente está pior com essa onda de todo mundo querer pagar de malvado, de gangueiro, de HCNY. Você vê tretas entre “crew” rolando nos shows e isso é muito triste. A molecada liga o PC, baixa dois sons do Agnostic Front, mais três do Sick of it All e sai por aí achando que hardcore é dar porrada, é posar para foto fazendo carinha de mau quando, no fundo, são um bando de filhinhos de papai criados no Toddy. Outro dia, vi uns moleques dizendo que a “crew” deles ia colar num show de uma banda gringa para dar porrada em não sei quem, pois o som da tal banda era uma bosta e que o legal mesmo era hardcore NY, from the streets. Aquilo, para mim, foi a constatação de que a “cena” (se formos chamar assim) é uma piada. Essa molecadinha que acha que o NYHC é sair por aí dando porrada e arranjando treta devia ler a entrevista das bandas Agnostic Front, Murphys Law e Sick of it All para o livro “BARULHO”, escrito em 1993 pelo jornalista André Barcinsky. Eles ficariam surpresos quando vissem a declaração dos caras de que a cena de NY acabou, justamente, por conta das tretas.

Thiago Lira: Faz tempo que fujo um pouco da tal “cena”. Acho que o que define uma banda ou qualquer tipo de manifestação cultural, artística ou sei lá o que é o que ela transmite de verdadeiro, e não é um rótulo ideológico. Não é porque eu gosto de uma banda como o Sick of it All por exemplo que eu não vá poder ouvir ou ir a um show de uma banda que não segue a mesma linha. Com o tempo que a gente tem de estrada já vimos essa “cena” trocar de roupa e de sonoridade algumas vezes.

Bruno Camargo: Assim como o Brunão eu acho que não tem cena. Talvez tenha existido em outras épocas mas isso tudo morreu. Hoje em dia o que rola são os Straight Edges de um lado fechando a panela deles, e do outro lado as bandas emos que estão estourando na rádio. No meio existem várias bandas perdidas, algumas sobreviventes com seu público fiel, casos do Garage Fuzz, Dead Fish, mas muitas bandas boas estão se perdendo pois a cena aqui de São Paulo e região pelo menos morreu. O que rola hoje é você fazer o seu próprio rolê, encontrar amigos, encontrar boas bandas e você mesmo ir criando seu próprio circulo. A cena de hoje é cada um por si.


De diversos shows e festivais que vocês já tocaram,vocês lembram algum que marcou,ou porque foi muito importante,ou muito estranho?
Bruno Machado:
Eu sempre vou lembrar do primeiro show com a nova formação, em março de 2007. Subimos no palco no cagaço total e, no fim, quebramos tudo. Perfeito.

Thiago Lira: Os shows que fizemos em Campinas nem foram tão legais se compararmos com outros shows, porém a trip vai ficar marcada pra todos, principalmente pra mim. O show que o Brunão citou também foi bem importante o lugar estava bastante cheio e a gente tava se cagando todo, mas no final deu tudo certo. O ultimo show que fizemos no Los Manos Bar em Ibiúna com o Somático e com o Enfrente foi muito fodido também.

Bruno Camargo: Temos muitos shows marcantes, teve uma mini-turnê que fizemos com o pessoal do Rockillers de Campinas, os shows não foram tão bons, mas nunca nos divertimos tanto. O melhor show da banda, na minha opinião, foi na cidade de Piedade no Moshcore Fest.

Atualmente vêm surgindo e já existem grandes bandas na região e no interior de São Paulo,de cidade desde São Roque até Votorantim,dessas bandas novas,ou que já estão na ativa faz um tempo,quais vocês curtem mais ou acham que mais se destacam para vocês e porque?
Bruno Machado: Eu sempre sou tentado a acreditar que o interior tem um número maior de bandas boas em relação à capital. Podemos citar uma penca de bandas “caipiras” que fazem a nossa cabeça, principalmente o The Rockillers All Stars Trio (de Campinas), que além de excelentes músicos são nossos brothers de longa data. Há também os veteranos do Nervo e Instinto, de Votorantim, o pessoal do Somático, de São Roque, entre outras bandas do caralho. Aqui, em Ibiúna, eu cito como destaque o Enfrente, Long Neck e o Atomic Driver, em que toca o ex-batera de minha antiga banda.

Thiago Lira: Sem duvida o Nervo e o SangueXódioXhc são duas bandas das antigas que eu admiro muito e que continuam levando um público fiel pros shows. Toquei batera na primeira formação do Sangue e chegamos a dividir o palco com o Nervo algumas vezes. Passado todo esse tempo percebi o quanto as duas bandas amadureceram e definiram uma identidade, o que é muito bom para a região. Da nova geração de bandas que vem surgindo gosto muito do Somático e da sua pegada “Fugaziada” (risos) e o Enfrente de Ibiúna é uma banda que me surpreendeu bastante já nos primeiros shows, eu aposto nos caras.

Bruno Camargo: Eu curto muito o Rockillers de Campinas, não só pela amizade que temos com os caras, mas pela qualidade da banda. Gostei muito também do Somático de São Roque, os caras tem uma proposta muito legal e o som é muito bom, embora ainda falte um baixo (risos). Temos também o Nervo de Votorantim que é velho de estrada e sempre que tocam em Ibiúna quebram tudo. Agora de Ibiúna o grande destaque tem sido o Enfrente, essa banda que surgiu agora e que tem tudo pra dar certo. Os moleques mandam muito bem com músicas próprias o som tem uma baita identidade e eles têm tudo pra dar certo.

Quais são os planos para 2009 da banda?Em relação a E.P, CD e shows?
Bruno Machado:
2008 foi um ano difícil para o Nine Seconds, pois tive um problema sério de saúde que obrigou a banda a ficar de molho durante a maior parte do tempo. Por isso, em 2009, queremos tocar no máximo de lugares possíveis, além de finalizar a gravação da demo. Por isso, quem estiver lendo essa entrevista, POR FAVOR NOS CHAME PARA TOCAR EM ALGUM LUGAR NESTE ANO!!(risos).

Thiago Lira: Chegamos a começar uma conversa a respeito de uma parceria em um split com uma outra banda. Ainda não temos detalhes e nem sabemos se vai mesmo rolar mas é uma idéia que temos discutindo nos últimos meses. Aguardem sinais.

Bruno Camargo: Em 2008 o nosso guitarrista teve um sério problema de saúde e tivemos que ficar quase 7 meses parados. Em 2009 pretendemos compensar todo esse tempo parado, entrar a todo vapor, tocar no máximo de lugares possível e finalmente conseguirmos gravar o nosso EP.

Para finalizar, uma mensagem a galera que curte e apóia sempre a banda?
Bruno Machado:
Que a força esteja com vocês!

Thiago Lira: Ouçam Ramones e abusem das fibras no café da manhã. Abraço.

Bruno Camargo: Viva o Cúrintia!!!

www.myspace.com/ninesecondsaggression

 
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