ADITIVE
Por: Nelson
Jr. e Geise Paula
Sei
que quando vocês começaram, era a extinta Straded. Conheci
a banda de vocês em uma coletanêa da Antimidia Records na
qual saiu uma musica da minha banda . Gostaria que vocês falassem
da trajetória da banda até os dias de hoje. As formações,
discografia e primeiros shows.
Sonrizal - O barato foi assim, o Sandro, o Hospede e
o Blacknigal, antes eles tinham uma banda chamada Stranded. O Stranded
meio que acabou, eles ficaram parados e eu conheci o Hospede. Eu o Hospede
e o Chin tínhamos uma outra banda também. Foi assim que
todo mundo meio que se juntou. Então chegou uma hora que o Hospede
falou "vamos tocar ai com a gente", era o Stranded, mas tocando
em português, então eu fui tocar com os caras, o Sandro ficou
só cantando e o batera saiu. Ele gravou o disco mais ou menos.
O Chin também gravou umas musicas do primeiro disco "Trilha
Sonora".
Nisso com "Trilha Sonora" a gente fez uma porrada de show, gravamos
clip... E no final de 2003 saiu o Hospede e o Blacknigal, o Hospede foi
para o Dead Fish e o Blacknigal foi para o nordeste. Então eu o
Sandro gravamos o disco novo o "Reverso", que esta saindo agora
e no meio da gravação escalamos o Flavio que era do Food
for Life pra tocar baixo, isso é mais ou menos o que aconteceu
desde o começo até hoje.
As
influências e as experiências variadas de cada integrante
ajudou ou implicou na formação da banda e das musicas?
Sonrizal - O que eu consigo ver na banda, a diferença
das influências que rolou no Aditive foi o seguinte, a gente fez
o primeiro disco "Trilha" que é bem punk, pop e até
umas certas horas é metal, isso é uma parada muito do Hospede,
apesar de que o Sandro sempre chega com as musicas e a gente pira nas
letras em cima e nos rifs. Mas sempre teve o lado metal. Fizemos esse
disco novo agora com o Flavio, ele é compatível pra caralho
com a gente, o disco esta muito mais rockão, ainda com a cara do
Aditive mas ...
Sandro - Ai é opcional cara, tipo assim, se você faz cd legal,
bonitinho, pop, neguinho vai esperar a mesma coisa de você, só
que a gente já estava vendo que não da pra fazer cd igual,
você tem que amadurecer naquilo que você esta fazendo. Então
nós preferimos fazer uma coisa mais simples, mais direta e melhorando
naquilo que a gente é.
Sonrizal - Na verdade pensamos "foda-se" e falamos "vamos
fazer o que a gente gosta de fazer", não vamos fazer um cd
igual o "Trilha" porque todo mundo gosta do "Trilha".
Sandro - Nós tínhamos umas vinte musicas prontas e gravadas,
dessas vinte saíram uma porrada, fizemos mais seis em um mês
e pouco pra gravar, porque não estávamos gostando e não
estava fluindo.
Sonrizal - E eu acho que isso vai muito das influências mesmo cara.
Gostaria
de saber de vocês se concordam que o Dead Fish é uma das
bandas pioneiras em cantar hardcore em português no Brasil?
Sandro - Cara, na boa, na outra banda que era o Stranded
era em português. Quando entramos no estúdio
e estava tudo pronto, os caras da banda decidiram que tinha que fazer
em inglês, eu achei cagada tá ligado, as vezes os sons eram
em português e acabamos gravando em inglês, mas é um
lance que eu sempre fiz cara. Eu odiava cantar em inglês, não
gostava.
Sonrizal - O Dead Fish realmente é pioneiro em
cantar em português, isso é certeza absoluta. Eu lembro que
em 97, 96, nós tocávamos direto com Dead Fish, eu tocava
no Street e na época a gente começou a ter o auge do Street
a partir dai porque era uma banda em inglês, tinha o Garage Fuzz
e todo mundo tocava em inglês, o Nitrominds era bombadasso... o
Dance of Days tinha um ep em inglês. O Dead Fish realmente é
pioneiro em cantar em português.
Mas eu acho que o que motivou a gente a tocar em português ... na
verdade eu não tenho a mínima idéia velho, porque
o bagulho já estava em português quando a gente entrou e
os caras lá de Caragua não tinham muito contato com as outras
coisas, então era meio que o mundo deles lá, né Sandro?
Sandro - Cara a gente tocava hardcore desde 95 e eu nem
sabia o que era Dead Fish, a gente gostava de Nofx, No use...
Sonrizal - Os caras gostavam de Raimundos cara, tinhas
umas musicas que falavam de putaria, "vô te fuder", acho
que foi isso, Raimundos se marcar, uma banda que motivou a cantar em português
(rssss), mas isso era em 94 velho...(rssss)
Li
em uma entrevista que vocês deram recentemente que vocês acreditam
na cena alternativa e que também
não tem planos de entrar em um esquema maior. Vocês acreditam
que o cenário underground nacional ainda pode ser auto-sustentável
como já é na gringa ou vocês acreditam que a cena
já é ?
Sandro - Depende cara, a única diferença é
que aqui não da pra tocar em dia de semana, sendo que a gente esta
tocando.
Sonrizal - Mas mesmo assim, a estrutura, eu falo me baseando
no Hangar que é um lugar de casa, digamos. E a estrutura dos outros
lugares saindo de São Paulo, raramente você toca com um equipamento
legal, que cola uma galera e que você sabe que é um negocio
garantido. Vira e mexe a gente pega um show fora do eixo São Paulo
- Curitiba (que é bem legal para o hardcore), que tem uma estrutura
que você fala "porra legal, nego acredita mesmo". Até
porque tem cidades cara, a maioria das cidades, quando sai disso, não
tem nem publico que consiga pagar uma estrutura dessas, um lugar bacana,
com equipamento legal pra caralho e todo mundo sai pago, todo mundo sai
feliz. São poucos lugares que você consegue uma estrutura
bacana e da pra você falar "pô dá pra viver do
rock assim". Mas comprado há cinco anos atrás o negocio
esta muito maior, muito maior absurdo, então tomara que nos próximos
cinco ou menos anos comece a ficar profissional mesmo, como a gente consegue
fazer em grandes centros (entre aspas), um esquema profissional mesmo
isso é o que falta pra abrir, hora que abrir para o interior de
São Paulo, interior de Minas, hora que conseguir sustentar uma
agenda de quinta à domingo velho, eu acho que neguinho consegue
viver do rock e viver da banda.
Sandro - Esse lance de gravadora, que sempre acham, neguinho
achava que fizemos um bagulho pra entrar numa Sony, numas paradas...
Sonrizal - Fizemos porque a gente é bicha mesmo
(rssss), assim num esquema tipo Dead Fish, de nego não botar o
dedo no seu som a gente assina, "gostamos disso aqui, gostamos dessa
musica, o esquema dessa musica, vamos fazer um disco? - Vamos fazer um
disco. Vai ter que botar violão? Não!". O Dead Fish,
a gente sabe disso até por causa do Hospede que tocava com a gente,
que eles tiveram total liberdade pra fazer o disco. Então num esquema
desses eu acho que qualquer banda estaria, não tem como, você
fazer o que você gosta, do jeito que você quer e ter a garantia
do seu aluguel e das suas contas no final do mês, velho, qualquer
um faz.
Sandro - Sem correr atrás. Nós nunca fomos
atrás de ninguém e ninguém nunca veio atrás
da gente, nunca mandamos e se os caras conhecem é porque alguém
levou.
Você
acha que a situação do país acaba interferindo para
cena se tornar auto sustentável?
Sonrizal - Acaba interferindo pelo seguinte, por exemplo, o preço
do cd, quando você faz um cd, um exemplo nosso cd novo "Reverso",
eu sei que sai por um preço alto, porque é pago o estúdio
e paga uma porrada de coisas. E se você bota um cd pra vender a
dez reais, a doze reais, a margem de lucro em cima daquilo é pequeno,
não se consegue viver daquilo e se não consegue viver daquilo,
não se faz um trabalho direito e se não se faz um trabalho
direito fica tudo tabajara, fica "nas coxa", fica um lixo. Então
precisa botar um cd a quinze pau e se você bota um cd a quinze pau,
é foda, porque nego vai que vai no show e paga dez contos pra entrar,
paga seis contos pra entrar e vai comprar um cd a quinze pau!?! Ninguém
mais tem dinheiro, esta todo mundo fodido, é um bagulho absurdo,
até na sua vida pessoal, no passado você lembra que você
tinha muito mais coisas do que você tem agora. Só que ao
mesmo tempo o custo das coisas também esta caro, dai você
fica nessa, nós por exemplo, ganhamos muito mais dinheiro vendendo,
vendendo as outras coisas do que cd, porque cd a molecada consegue pegar
mp3 na internet, consegue passar os mp3 e não compra cd. A gente
vem de uns shows agora, dessa turnê que viemos, que vendemos quinze
cds velho, ao mesmo tempo que vendemos quarenta camisetas.
Sandro - Antigamente vendíamos trinta.
Sonrizal - Mas eu acho que a situação do
país de não ter grana, isso fode tudo, a vida pessoal de
cada um ai e a partir disso todo tipo de troca que gere dinheiro, qualquer
tipo de comercio caba fodido com isso.
O
que a vocês estão escutando, vendo, lendo atualmente e quais
são as inspirações de vocês para as composições?
Como funciona o processo de composição da banda?
Sandro - Cara, sei lá, você senta e você faz
quilo que vai fluindo na sua mente e esse lance de letra, a gente
tenta dar uma melhorada sempre, falar coisas não bobinhas, só
letrinhas de amor, falar uma coisa mais interessante com auto ajuda, que
faça você entender a vida como ela é ..., não
Nelson Rodrigues, sem putaria (rsssss)
Sonrizal - Na real rola muito do momento, agora saindo esse disco "Reverso",
tem muitas letras que as pessoas vão ver que a gente esta num beco
sem saída, que estávamos furtado, fodido e tem umas letras
que você escuta e fala "meu o cara esta procurando ajuda".
O legal até desse disco novo é que não tem tanta
letra de amor, até tem umas coisas porque nem todo mundo vive sem
amor.
Sandro - Não tem nenhuma letra de amor velho.
Tem sim. O legal desse disco agora é que tem muito de todo mundo,
isso que é bom, é a nossa cara mesmo, porque tem muito de
todo mundo.
Sandro - É que o primeiro disco foi muito feito
pra qualquer um, então era só eu e o batera que estava fazendo,
então a gente tentava fazer qualquer coisa pra que se você
escutasse, você encaixasse em algum momento da sua vida. Esse também
é mais ou menos isso, só que nós não ajudávamos,
só comentávamos um fato que aconteceu na sua vida. Nesse
não, a gente tenta falar disso e tentar melhorar sua opinião
e que você se sinta bem ouvindo uma letra da gente, que você
pare preste atenção e fale "pô não é
que é isso mesmo".
Sonrizal - E leitura não me influência muito
cara, eu gosto muito de Bukowski e ele é muito putanheiro, muito
tudo e a gente não usa muito esse lado. Nós levamos muito
pelo lado do som, das coisas que estamos escutando, a gente tem pirado
pra caralho, a gente sempre gostou de umas coisas tipo FooFighters, Lagwagon,
No use for a name, Nofx e a gente sempre joga um pouco de tudo no que
estamos fazendo.
7
- Algumas pessoas definem o Aditive como uma banda emo e outras como romântica.
Como voces definem as letras? São relatos de coisas vividas por
vocês ou tem alguma mensagem especial ?
Sonrizal - Rock desencanado, não tem o que explicar.
Sandro - Emo é tipo um rótulo, não
dá pra você ficar rotulando.
Sonrizal - Na moral, eu acho emo ridículo, quando
vejo nego falando "Aditive emo, Aditive emo", vai pra puta que
pariu cara, vai se fuder.
Sandro - Aquilo que você conseguir buscar, aquilo
que você conseguir tirar de bom dali cara, esta valendo.
Sonrizal - Mas esse é que é o barato, se
você esta se sentindo mal, se você esta triste por alguma
merda, você vai fazer uma coisa falando daquilo, se esta enxergando
uma coisa que você não apoia e que esta indignado com aquilo
você vai fazer uma musica falando daquilo, se você tem um
amigo que esta fodido e você quer tirar o cara do buraco, você
vai fazer uma musica falando disso. Por isso que eu gosto de falar que
é desencanado, a gente fala o que estamos sentindo.
Sandro - Sabe porque a gente não faz isso de "Protesto
da vida", porque o Dead Fish faz muito bem, não precisa de
mais banda fazendo isso, não dá pra ser hipócrita,
falar e não fazer, não é nosso objetivo, nosso objetivo
é aliviar as pessoas, pras pessoas ouvirem gostarem e esquecerem
os problemas. E emo de cú é rola. (rsssss)
8
-Tem alguns vídeos do Aditive ao vivo disponíveis para downloads
na net, e o vídeo clip? Vocês tem planos agora com o lançamento
do novo álbum?
Sandro - Nós temos dois clips guardados cara. Um fizemos uma super
produção, com película e tal, ai deu tudo errado
e estamos até hoje pra fazer, mas vai sair porque tem que sair
porque já demorou um ano.
Sonrizal - Nós não gostamos do resultado, não
queremos soltar de jeito nenhum, é do "Trilha".
Sandro - E o outro foi tipo uma brincadeira que uma amiga
da gente, viajou coma gente e filmou umas imagens, ficou legal pra caralho,
mas só precisa terminar pra gente botar na internet, é trinta
segundinhos e o clip ainda vamos fazer.
Sonrizal - Nós queremos fazer sim, estamos muito
empolgados com isso.
Sandro - Se bobear uns dois, um agora e outro mais pra
frente.
Sonrizal - Com certeza vamos fazer um nos próximos
meses.
9
- Vocês acham muito importante fazer o clip?
Sandro - Lógico cara, neguinho quer ver quem que é
da banda, neguinho gosta de ver.
Sonrizal - É para expandir fora meinho hardcore,
fora de cena alternativa. Como um pastor, trazer novas ovelhas para o
rebanho, é uma forma bem legal, é uma forma direta de você
atingir um telespectador.
Sandro - É um chamariz. Toda forma de você
divulgar pra mais gente, desde tocar nuns picos diferentes, botar musica
no rádio, fazer clip, botar na internet, tudo que você puder
fazer pra divulgar a parada, além de estar divulgando sua banda
você esta divulgando a cena. Então vale a pena, a melhor
maneira de fazer crescer a cena é divulgar e divulgar como é
que é, é fazendo clip, gravando cd, fazendo banner...fotolog
Sonrizal - Nosso fotolog tem vinte vezes mais visitas
que o site cara, é absurdo.
Sandro - Tudo que você puder fazer pra divulgar
é ótimo tanto pra você quanto pra muitas banda, um
puxa o
outro.
10
- Qual é o esquema de vocês pra lançamento de cds?Mais
de mil cópias?
Sandro - Mil cara, o esquema da gente é mil cópias.
Sonrizal - A gente da um passo atrás do outro,
não inventamos números, não aumentamos as coisas,
não
vendemos trinta e cinco mil cópias e nada. O "Trilha"
já esta na terceira prensagem, o Marcio da "Urubus" vai
mandar o "Reverso" agora e ele acha que assim que terminar a
primeira do "Reverso", ele acredita que uns três a quatro
meses no máximo, ele manda prensar uma outra do "Trilha",
porque o "Trilha" começou a sair de novo agora que a
gente voltou a tocar.
11-Qual
opinião de vocês sobre zines impresso, fanzines on line?
Sandro - É aquilo que eu falei, o que tiver pra divulgar
mais é ótimo, seja um zine uma revista qualquer parada e
uma maneira de você estar por dentro daquilo que você esta
fazendo, como aqui, eu vou querer saber o esta ai, você não
vai mandar pra gente, não vai estar na internet também?
Então vamos querer saber, é interessante.
Sonrizal - A gente acompanha tudo velho, ZonaPunk, Hardcore
Brasil, Sorocabaunderground, Fortalzine, entramos em tudo, é meio
que se alimentar do que você faz, estar por dentro tudo de várias
coisas. E zine impresso hoje em dia caiu muito, é muito pouca gente
que faz, mas eu gosto pra caralho de fanzine, eu venho de uma época
de fanzine que eu achava sensacional.
Sandro - É muito mais legal cara, não dá
pra ficar acessando internet direto.
Sonrizal - Eu tinha comunicação por carta,
tinha uns flyerzinhos, isso era muito divertido cara, carta social um
centavo (rsssss), era muito bom, eu tinha caixa postal e era sensacional!
12
- Deixem suas considerações finais e mensagens para quem
vai ler a entrevista.
Sonrizal - O Flavio vai deixar essa mensagem.
Flavio - Que mensagem?
Sonrizal - Uma mensagem para o pessoal que gosta da banda,
que não conhece e esta conhecendo agora...
Flavio - Que vão mais em shows, sei lá
.........emo de cú é rola.... Comprem cds......vão
nos shows ver gente...
Sonrizal - Livre de preconceitos......."é
nóis"
Sandro - Consumam musica de qualidade.
www.fotolog.com/aditive
www.myspace.com/aditive
|
 |