COLLIGERE

Mais um sonho realizado. Meu sonho sempre foi entrevistar as minhas bandas preferidas e quem me conheçe sabe que o Colligere e a banda numero 1 da minha lista, e ai esta a tão esperada entrevista do Colligere que a gente fez com Rodrigo e Garbriel no show de Sorocaba. Apresento a vocês a maior banda de hardcore do Brasil os meus novos amigos do Colligere.

Por: Nelson Jr. e Geise Paula

Fale um pouco sobre a história da banda, primeiros shows...
Rodrigo - A gente tocava no Family e a banda estava acabando. Tentamos juntar algumas pessoas para fazer uma banda nova, tentamos algumas formações em 99 e em 2000 começou a dar certo, comigo Rodrigo, o Gabriel, o Paulo, Felipe e o Bruno. Logo a gente gravou uma demo e no mesmo ano gravamos o cd, em 2000 ainda. Os primeiros shows, em Curitiba...
Gabriel - A gente gravou uma demo antes de fazer shows. A idéia era divulgar a demo junto com os shows, daí fizemos shows na maioria das cidades que dava, Joinville e cidades próximas, tentando divulgar o máximo a demo e sempre com a idéia de fazer shows fora. A gente fez a banda pra isso, pensando nisso, interagir e tocar em todo lugar possível. Essa é a idéia.

Qual a importância do straight edge na vida de vocês e o que vocês aprenderam com a filosofia de vida e o que ela trouxe de bom para vocês?
Rodrigo - O straight edge foi o que me levou a ficar no hardcore até hoje, tipo, eu comecei a conhecer hardcore punk, mas foi conhecendo as bandas, as pessoas e sendo straight edge que eu me empolguei de verdade e me identifiquei com alguma coisa que eu achei que podia participar e que era mais a minha cara. Então de um determinado período foi isso que me fez continuar dentro do punk, de me identificar com as pessoas, me sentir próximo delas e tal. E depois de um determinado momento, aquilo pra mim começou a restringir um pouco, principalmente pelo que as pessoas pensam do straight edge, não pelo que ele é de verdade. O que as pessoas que não são straight edge pensam acabam restringindo, limitando, prendendo todo mundo que se considera straight edge meio que fora, isolado. Mas eu acho que isso tem mudado, já não importa mais tanto.
Gabriel - Bom, hoje em dia a gente não faz tanta, não sei se... propaganda de straight edge, nunca foi o objetivo da banda divulgar isso, mesmo todos sendo e achando importante ser, mas é uma coisa que, como o Rodrigo falou, faz parte das nossas vidas, da nossa maneira de ser. Foi importante, é importante, só que a gente tenta fazer o direcionamento da banda para outras coisas, mas também pra isso, porque faz parte da gente. Mas não como era o Family, digamos assim.

Existem pessoas que agem com preconceito em relação ao straight edge, até mesmo ridicularizando. Qual a opinião de vocês sobre isso?
Gabriel - Na boa, não sei se incomoda tanto, porque é meio ridículo, assim, quem chegar e falar...Não sei muito que dizer, acho que com informação o pessoal vai conhecendo mais as pessoas que são straight edge e vai ver que não é esse monstro que eles podem pintar, vai ver que são pessoas como outras, assim como uma pessoa tem uma idéia, o staright edge é uma outra idéia, não deixa de ser uma pessoa com gostos e defeitos. Esse é o ponto, o grande problema do staright edge é que o pessoal leva como se fosse uma coisa que tenta buscar perfeição, mas não é isso, o straight edge, as pessoas que são, têm muitos defeitos como as outras, tem straight edge idiota, tem straight edge legal, assim como todo tipo de gente. Então acho que quando sai desse rótulo "straight edge, existe uma linha de produção, straight edge são todos iguais" tem que quebrar isso, quando se quebra isso fica mais tranqüilo o relacionamento entre as pessoas.

Vocês acham que a filosofia straight edge é ligada ao movimento punk? e qual é a opinião de vocês sobre o movimento punk?
Rodrigo - Acho que pode usar a mesma coisa que o Gabriel falou do straight edge, você pode usar para o punk. Não adianta falar do movimento punk ou falar que o punk é legal, punk não é... . Tem uma pá de punk que eu não dou nem a mão, prefiro não ver e tem uma pá de punk que eu gosto e é meu amigo. Então não é questão de o cara ser punk ou straight edge que vai fazer dele uma pessoa boa ou ruim, as idéias são ferramentas só, elas podem ser usadas por uma pessoa idiota ou por uma pessoa legal, podem ser usadas para uma coisa boa ou para ser transformada em merda. O straight edge está dentro do punk.

Gostaria que vocês falassem um pouco do cd novo "Incerto". E o que a galera pode esperar desse novo lançamento?
Gabriel - É diferente dos outros dois, deixa eu ver..., a gente terminou a gravação no mês passado, em Agosto, gravamos em São Paulo, no Rocha, nove musicas e elas estão bem diferentes, até entre elas mesmas, entre as nove, então eu não sei o que o pessoal pode esperar, acho que é diferente mas ainda tem bastante coisa... a gente deu uma volta parece..., um pouco, uma agressividade um pouco maior do que tinha "Sobre a determinação", mas tem que ouvir, é algo que eu não sei explicar. Também não é algo que a gente planejou "vamos fazer algo assim, assim e assado" , tipo a gente foi misturando, como sempre fizemos nos outros discos, misturando coisas que a gente ouvia, coisas que a gente conseguia tocar, coisas que não conseguíamos tocar no primeiro cd e hoje a gente consegue tocar, então nós aumentamos nossas possibilidades. E o nome é "Incerto" por...
Rodrigo - A gente não encontrou nenhum outro nome melhor.
Gabriel - E acho que de certa forma talvez não seja a melhor palavra, mas ela quer dizer um pouco do que..., não só do que dizem as letras mas do que a gente conversa entre a banda.
Rodrigo - Depois de um tempo, algumas pessoas parece que vinham falar com a gente como se nós tivesse as coisas certas para falar, como se tivéssemos certeza de tudo que a gente fizesse. A gente fez questão, de certa forma, de fazer esse disco de forma que fosse bem interpretativa e que a gente deixasse claro que não temos as respostas pra vida das pessoas e que só elas mesmas que podem encontrar.
Gabriel - E nem pras nossas, muitas vezes a gente tem muitas respostas. A idéia desse nome também foi muito..., pra chegar em um nome foi difícil, a gente tinha um monte de idéias. A idéia estava certa do que a gente queria, mas não conseguíamos chegar num nome fixo que explicasse e condensasse tudo.

Como é pra vocês saber que são influência pra muitas pessoas, mesmo sendo uma banda "nova". É uma responsabilidade muito grande, vocês se preocupam com isso?
Rodrigo - Eu acho bizarro. É bizarro, tipo, quando eu era mais novo por exemplo, eu escrevia os nomes das bandas no meu caderno, escrevia as letras e sempre eram coisas meio longe de mim. E o que me atraiu pro hardcore é que eu fui conhecendo bandas que estavam perto e que eu podia gostar do que eles escreviam e podia discutir isso com elas. Então pra mim acho que acontece a mesma coisa, as pessoas que gostam do que a gente faz, nós tentamos sempre poder responder, conversar e trocar idéias. Quando não acontece isso, quando não tem essa comunicação, é um pouco estranho você saber que tem pessoas que gostam da sua banda e você nem conhece. Mas acho que é um negócio que acontece pela divulgação, não tem como você se espalhar tanto quanto sua musica se espalha. Mas responsabilidade acho que não.
Gabriel - Você perguntou se preocupa, sim, preocupa. A gente conversa sobre isso, a gente tenta, não sei, as vezes um conversa com outro "pô, aconteceu isso, o que eu acho disso ou aquilo", mas pra mim é natural, assim, eu ainda vou em show de bandas e me influencio por bandas e toco. Então se eu gosto de uma banda, vou ouvir ela, pode ser daqui de Sorocaba, de Curitiba, EUA..., a gente tem influência de banda nacional, gostamos de um monte de bandas nacionais, ficamos felizes de tocar com bandas que a gente gosta. Então essa relação de gostar das bandas, nós ainda temos com um monte de bandas de amigos ou não. Essa troca que o Rodrigo falou que é importante, de não ficar na barreira, ficar na barreira de ídolo, acho que não é por aí, não tem nada haver. Tem que vim, conversar e trocar "há não gostei dessa letra ou gostei" ou qualquer coisa do tipo.

Vocês tem reparado a galera cantando as letras em lugares que vocês nunca imaginaram ir?
Gabriel - Sim, quase todo lugar que vamos. Todo ano a gente toca em lugares que não imaginaríamos tocar, até aqui, nunca iria imaginar tocar tanto, em cinco shows em três dias, como agora, um monte de cidades que a gente fala "pô a gente podia tocar no interior", mas é difícil conseguir, nós não temos muito contato, agora que o Rodrigo esta conseguindo esses contatos aqui. E eu não sei, tem gente que já veio falar que gosta da banda, então acontece bastante do pessoal, assim, das musicas mais antigas o pessoal gostar, internet acaba divulgando bastante.

O que vocês podem indicar para galera que gosta do Colligere, referente a bandas, zines e e-zines, livros, etc.
Rodrigo - Bandas é com o Gabriel. Livros eu vou indicar então. Bom, é meio complicado você citar influências porque as pessoas podem assimilar aquilo que a gente cita como se fosse exatamente o que a gente pensa ou que a gente é, mas não é bem por aí. Tem uma porção de bandas que influenciam a gente, mas hoje em dia é meio complicado...
Gabriel - A gente pode falar umas bandas que a gente gosta, nacional, por exemplo, meu irmão tem uma outra banda, a Odissei lá de Curitiba que é legal.
Rodrigo - Tem o Overwhelm de Londrina que deve estar gravando disco agora pela Highlight que é legal, tem o Inimigo de São Paulo que lançou um cd pela Liberation e pelo meu selo Vida Simples, tem mais bandas boas....
Gabriel - A gente acaba pegando mil coisa e cada um ouve tanta coisa diferente, que não tem mais uma linha assim, esta bem bizarro.
Rodrigo - Até como influência é estranho, porque no começo a gente pensou "ha vamos fazer uma banda tipo Battery, Baine, a gente ainda tem essas banda como influência, mas a gente ouve coisas tão diversas, assim...
Gabriel - Até pop, a gente ouve tudo diferente, mas no som acaba vindo um pouco de tudo, das idéias malucas de cada um ou das idéias convencionais, vai de tudo... De livro, o que você falou mesmo...
Rodrigo - É meio chato ficar citando livros, é meio que pagar de intelectual, mas sei lá, tem várias coisas...
Gabriel - A gente sempre lê um monte de coisas...., tipo fanzines
Rodrigo - Não, zine não tem, não existe mais zines, então aqui eu vou registrar um protesto, que não existe mais zine, minha distribuidora pegou pra vender e ninguém compra. A molecada só quer saber de internet, é muito legal internet, eu também gosto, procuro usar pra caranba, só que fanzines impressos também são importantes pra registrar, pra deixar documentado.

O que vocês acham de fanzines e e-zines, qual a importância para cena?
Gabriel - Desde que todo mundo começou a ter contato entre a cena, o meio de comunicação era o que, era fanzine, era cartas, antes de ter internet tão popularizada. Então pra nós sempre foi assim que trocávamos idéias, conhecíamos pessoas novas, mantínhamos contato, então é importante pra caramba, nesse meio que a gente vive comunicação é o que faz tudo rolar. Então com a internet vindo, o fanzine perdeu um pouco do espaço e da credibilidade, é mais fácil você mandar um e-mail do que escrever cartas, e mais fácil, mais rápido é mais "barato" até. Mas acaba ficando monopolizado pra quem tem acesso a um computador, então é importante manter os fanzines, os panfletos, manter tudo isso, pra que continue do mesmo jeito, ou melhor do que quando você entrou no negócio. Todo mundo faz parte de uma comunidade, digamos, não da mesma comunidade, mas todo mundo acaba se relacionando de diversas maneiras, então é bom tentar manter isso mais forte através da comunicação. O fanzine é fundamental.

Deixe suas considerações, agradecimentos, uma mensagem pra galera que vai ler a entrevista...
Gabriel - É a ultima? Então deixa eu aproveitar para agradecer pelo interesse e pelo espaço que foi dado por vocês. É difícil as vezes falar por entrevista, qualquer coisa quem quiser entrar em contato com a gente, sempre tentamos deixar bem claro que somos bem abertos, eu que respondo os e-mails, é só escrever que eu tento responder o mais rápido possível. E pra quem gosta da banda, é legal pra caramba ver o pessoal lá gostando das musicas, cantando as musicas. Nós fazemos as musicas muito pela gente, não ficamos muito preocupados se os outros vão gostar ou não, então é bem legal, a gente faz o que os quatro gostam, a gente se reúne e fazemos o som e as idéias todas conforme queremos e é legal ver que o pessoal se identifica e gosta do que a gente se propôs a fazer. Acho que vamos fazer bastante shows agora nesses meses, quem conseguir ver a entrevista e quiser vir trocar idéia nos shows, pode vir levar idéia, que somos bem abertos pra tudo isso.
Rodrigo - Eu queria agradecer, usar o zine pra agradecer ao Caco, por ter feito esse role pra gente, agradecer as pessoas de cada cidade que organizaram os shows, as pessoas que vieram ao show, que é o primeiro ainda, quando você ler essa entrevista, a gente ainda vai estar começando o role. Queria agradecer a todo mundo que vai comparecer nos shows e que vai ajudar a gente. Valeu.
Obrigado a vocês pela entrevista !

http://www.myspace.com/colligere

 
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