DANCE OF DAYS

A entrevista foi feita com ,o vocalista Nenê Altro e o guitarrista Marcelo, depois de um show inesquecível e contagiante. Confesso que fazer essa entrevista foi uma grande experiência, pois Nenê Altro é o idealizador do melhor fanzine impresso do Brasil o Jornal Antimidia.

Por: Nelson Jr. e Geise Paula

Fale um pouco da história do Dance of Days?
Nenê Altro: O Dance of Days começou..., começou na verdade como um...., começou como um projeto em 1996, eu tinha uma banda que chamava Personal Choice e eu fazia umas musicas assim, e tava querendo gravar com outras pessoas porque as musicas não cabiam muito no Personal, eram musicas diferentes, tal. Em 1997 eu juntei uma formação assim né , que era meu projeto com gente de outras bandas e a gente gravou o 6 First Hits com nome Dance of Days, é ai que nasceu a banda. Foi isso.

E atualmente?...
Nenê Altro: É cara , e veio vindo até hoje.Na verdade o Dance of Days nunca parou, nunca acabou na verdade, a gente teve umas paradas sim , teve um tempo que eu tava trabalhando e tava com outro projeto; Bastards in love e algumas outras coisas assim. Mas eu sempre tinha umas musicas guardadas pro Dance of Days, né, daí a gente mudou muito de formação entre 98 e 99 então a gente não tocou, porque era muita, muita formação mudando, porque ate acertar, né . Daí em 99 a gente começou acertar, 2000 gravamos historia não tem fim e daí voltamos a tocar e estamos aí.

Qual a principal mensagem que o Dance of Days procura passar em suas letras?
Nenê Altro: Eu acho que não tem mensagem principal, eu acho que eu tento transmitir com sinceridade o que estou sentindo e pensando e tentar passar uma coisa positiva pras pessoas.

Eu vi o show de retorno do Dance of Days e fiquei espantado com as musicas novas em português. Vocês notaram algum espanto do publico que conhecia o 6 First Hits?
Nenê Altro: Eu acho que o pessoal que conhecia só o disco sim, mas o pessoal que ia aos nossos shows entre 97 e 98 não ficou tão espantado porque a gente já tinha musicas em português naquela época e a gente já cantava em português , só não gravamos, mas agente tinha musica em português naquela época.

Comente sobre o novo cd “Coração de Tróia”? É muito diferente do “Historia não tem fim”?
Nenê Altro: O Historia na verdade é um apanhado de musicas de 98 e 99, a gente tava com umas musicas meio engavetadas demos uma nova cara pra elas e acabou saindo Historia não tem fim, algumas musicas que a formação nova fez. E eu acho que o Coração de Tróia esta um disco um pouco mais pesado e também a formação nova amadureceu, ficou mais forte. E eu acho que o disco ficou um pouquinho mais pesado, eu acho que ate as letras estão um pouco mais pesadas, também.

Como foi o show de hoje? Foi só mais um, ou cada um é um em especial?
Nenê Altro: Cada show é diferente, eu nunca tinha tocado aqui, eu sempre quis vir pra cá. A ultima vez que eu vim pra cá foi em 91, eu vim ver um show.
Marcelo- O Sick Terror tocou aqui .
Nenê Altro: Foi em Votorantim.
Marcelo- Mas é praticamente o mesmo publico.
Nenê Altro: Em Sorocaba, ultima vez que eu tinha vindo pra cá, foi pra ver o Vzadoc Moe. Faz muito tempo. Porque eu gosto muito, sempre achei uma das melhores bandas, eu gosto das letras, eles escreviam pra caralho, eu achava muito bom.Eu sempre quis voltar pra cá.

Você sente diferença no publico de cada cidade?
Nenê Altro: Tem umas são da mesma maneira, mas cada local tem seu comportamento. A gente gosta assim, que interage, canta junto, vem conversar com a gente. Tem algumas cidades que a gente vai, que o pessoal fica meio..., acha que a gente é de vidro, não pode encostar, tem umas cidades que a gente toca e o pessoal fica parado olhando. A gente prefere show assim, que nem foi hoje.

Eu sei que vocês já tiveram propostas de grandes gravadoras. O que vocês acham de bandas de hardcore que assinam com elas e acabam perdendo a identidade?
Nenê Altro: Eu acho que tipo assim, você tem que saber o que você quer quando assina com uma gravadora. Por exemplo, se o Dance of Days assinasse com uma gravadora e eles não mexessem na nossas letras, não mexessem no nosso som e deixasse o cd acessível, com um preço barato, não haveria problema. Agora se a gente assinasse com uma gravadora que falasse você não pode cantar isso, você não pode falar aquilo, você tem que tocar mais leve , você não pode fazer aquilo, daí sim, eu acho um problema, porque você perde a identidade.

Como foi voltar aos palcos? Você vê muita diferença na galera que iam nos shows do Dance of Days e que vão atualmente?
Nenê Altro: A cena é bem diferente, a cena em si é bem diferente, mas a galera esta reagindo da mesma maneira, porque em 97 a gente fazia uns shows bem legais, também. Mas acho que cada época tem sua cena e cada coisa tem seu valor. Eu acompanho a cena desde 85, eu já vi cada parte da cena de lá pra cá e cada coisa e cada época teve seu momento bom, como teve suas coisas ruins. No final dos 80 tinha gente morrendo nos shows isso não era legal. Hoje não morre mais gente em shows, é bem melhor , não tem briga de gangue, essas coisas. E hoje, tipo assim, eu acho que esta mais acessível se você quer escutar punk rock, isso é muito mais legal. Não tem aquele pessoal que com..., sei lá, “eu não vou mostrar meu som, pro cara porque o cara não é de movimento”, essas frescuras.
Existe alguma banda que vocês não gostam de ser comparados ou gostam ?
Nenê Altro: Eu ? eu não gosto de ser comparado com hardcore melódico... Popinho! há hah há, nenhuma assim. Eu não gosto de nada que lembre Mxpx, essas coisas assim, há há há há . Eu gosto quando comparam a gente com que a gente realmente tem influencia, as coisas velhas, tipo Embrace, ou ate com essas novas, assim At The Drive In ---------, as coisas que a gente escuta mesmo.
Marcelo- Eu acho ruim quando comparam a gente e falam que a gente parece New found glory, essas bandas emo novas ruins assim.
Nenê Altro: New found glory é muito ruim, há há há
Marcelo- Eu gosto de ser comprado dessas bandas que ele falou, as bandas que a gente ouve, At The Drive in, essas coisas assim mesmos.

Quais são as suas musicas preferidas no Dance of Days ?
Nenê Altro: É difícil, porque cada hora é uma. Tem hora que tipo... eu não sei, agora eu estou gostando de cantar “Horizonte de Outono”, mas mês passado era “Macaco com Navalha”, entendeu, então vai de momento assim, alias vai muito do que a gente esta passando , no momento o que você quer passar no palco pra se soltar.
Marcelo- Cada hora é uma, eu acho o disco saiu com vários climas e tem dia que você esta mais de um jeito do que de outro, mais afim de tocar as mais pesadas ou afim de tocar as mais leves.

Nenê você fazia um dos maiores meios de comunicação underground do Brasil, o jornal Antimidia acha de espaços como esses, zine net, zine impresso ou até o canal tv Cultura?
Nenê Altro: Eu acho que é fundamental, porque a cultura da gente, que é a cultura das bandas independentes nunca vai ter espaço na mídia grande, e tiver vai ser um espaço esmolado, pequeno. Então eu acho que tem que ter zine on line , como de vocês, acho legal o trabalho do Zona punk, Punknet e Hardcore Brasil. Eu acho legal porque eles divulgam tudo, divulgam ate banda que esta saindo com a primeira demo, isso é bem legal. Fanzine, eu dou maior valor quando alguém me entrega um fanzine xerocado, acho um puta iniciativa boa que não é de todo mundo. A única coisa que eu acho ruim hoje em dia é que não tem tanto fanzine como antigamente, antigamente tinha muito fanzine , muito mais que hoje, fanzine impresso, mas em compensação tem mais fanzine on line. Só que nem eu acesso internet toda hora, então eu gosto de ler as coisas.
Existem hoje muitas bandas na mídia com influencia direta do Punk, vocês acham isso positivo ou negativo?
Nenê Altro: Eu acho bom, cara, acho que não tem os dois lados, eu prefiro que as bandas tenham influencia punk na mídia, que a galera escute punk rock, do que escute KLB ou salgadinho. Você não acha que a mídia distorce a imagem do Punk?
Nenê Altro: Acho que a imagem real do punk que tem que existir tem que estar dentro de cada um . Eu acho que por muito tempo a cena ficou com medo de se mostrar, com medo de se distorcer. Eu sou de uma época que quando tinha passeata, se aparecia fotografo, o pessoal batia em fotografo, por que não queria ser vinculado na mídia. Por um lado, por exemplo, o CPM esta estourando, levando pra todo quanto é lado. Tem gente que começa escutando com, como tem gente que começou escutando Ramones, e por eles começa a conhecer outras bandas. Então não pode falar que é de todo mau, tem sempre o lado bom.
Marcelo- é a mesma coisa que ele falou , tem muito moleque que começa ouvindo Ramones , Sex Pistols e passa um tempo começa conhecer outras coisas e vira anarco punk .há há há . Acho que tem um lado positivo banda de punk rock tocando no rádio.

Como é tocar em duas bandas extremamente diferentes uma da outra, com Sick Terror e Dance of Days?
Nenê Altro: Eu acho que tipo o lado que é parecido do Dance of Days e do Sick Terror é que a gente ta cantando o que a gente ta sentindo seja no Dance of Days que é mais pessoal introspectiva quanto no Sick Terror que é uma coisa tipo raiva é legal eu escuto umas coisa tipo Extreme Noise , Defiance .Eu não vou conseguir tocar isso no Dance of Days apesar que a gente tem o Carro Bomba agora tem Macaco com a Navalha Tem umas musicas mais pesadas Mas é legal assim é legal tocar ,na verdade eu tava afim de fazer outras coisas com o Sick Terror assim deixar mais pesado mais eletrônico sei lá vamos pensar ainda .
Marcelo- É isso mesmo a gente ouve uma pa de tipo de som diferente quando você ouve e ta tocando as vezes você se empolga com um estilo você tem vontade de estar tocando e o Sick Terror é um tipo de som que a gente ama assim eu adoro barulho e aquilo pra mim é foda estar tocando pra mim é uma satisfação é uma coisa que eu gosto
Nenê Altro: No mesmo dia que a gente pega um disco tipo Chamberlim que a gente adora escuta assim.A gente pega um do Nazum e fala meu escuta isso cara é muito bom assim a gente sabe gostar das duas coisas
Marcelo- E isso não vai fazer você menos punk só porque você ouve tal tipo de som .

Deixe suas mensagem e considerações finais .
Nenê Altro: Queria agradecer a todo mundo que ta lendo a entrevista e dizer que a gente quer voltar pra Sorocaba se Der no ano que vem a gente ta ai de novo .
Marcelo- Queria mandar um abraço pros punk de Sorocaba os cara são tudo gente boa ai tal o lugar que vocês fizeram o show hoje foi super legal foi positivo .
Nenê Altro:–E se alguém tiver uma musica do VZA DO Q MOE que não tem no disco pode trazer pra mim no próximo show eu quero .

http://www.fotolog.com/oficialdance

 
+ Parceiros