DEAD FISH

Dead Fish, uma das bandas que eu posso dizer que mudou minha vida e maneira de pensar. Desde o inicio do site ,nos já queríamos fazer essa entrevista e enfim surgiu à oportunidade, depois de um recente show aqui em Sorocaba foi realmente inesquecível, simplesmente a melhor entrevista ja feita até agora.

Por: Nelson Jr. e Geise Paula
Fotos Por: Nelson Jr.

Comente qual a diferença de estar lançando o primeiro album por uma major, fazendo shows por todo Brasil, com o lançamento da primeira demo lá em Vitória.
Rodrigo - Meu, basicamente acho que estou vivendo a melhor fase da minha vida, no sentido pessoal, eu pago minhas contas, assim, como um bom trabalhador estou me saindo bem agora nesses últimos meses. A diferença é essa, de a gente ter a nossa própria gravadora lá no Espirito Santo e de hoje..., eu queria ressaltar que a Deck não é uma major, a Deck é uma gravadora supostamente independente que age como uma major, ela tem atitude de major, ela não tem porte de major, ela age no mercado, faz tudo que uma major faz, só que com uma diferença, a gente conhece o dono, a gente pode contestar as coisas, a gente pode negociar o contrato com o dono da gravadora, não com um gerente, nem um maneger, nem nada encarregado da gente. O cara que produziu a gente, o Rafael que é o filho do dono da garavadora, é um cara que eu conheço à nove anos no minímo e é um cara que já vinha acompanhando nosso trabalho e isso nos deu uma facilidade muito grande. E eu acho que ele teve time, porque no ano passado quando a gente ia acabar, porque a banda ia acabar no ano passado, a gente chegou a parar por alguns meses e ele fez o convite. Acho que ao mesmo tempo que ele teve um tino comercial, ele foi um cara que pensou em continuar mantendo uma banda que eu acho que é uma banda boa, eu acho minha banda boa, não acho minha banda uma banda ruim. Continuando, a diferenças são muitas, tem coisas que eu até esqueço e que as vezes o Cesinha me lembra. Tipo carta, a molecada hoje se comunica por internet... e eu sinto falta de algumas coisas do passado e tambem não sinto nada de falta de outras coisas sabe. Antigamente eu acho que a cena era menor, tinha mais rivalidade, tinha uma coisa mais provinciana, até porque Vitória é uma cidade mais provinciana, quer dizer muito mais provinciana e as facilidades da internet né cara, as gravadoras independentes estão todas ai, rádios independentes, zines... Acho que falta zine, na real eu sinto falta daqueles tempo dos bons zines, não sei se é porque fiquei velho e enjoei uma pouco de algumas coisas que estavam sendo escritas, mas sinto falta de algumas coisas escritas, mesmo não sendo uma coisa especifica do hardcore e do punkrock eu acho necessário.

Mas e o sentimento de estar agora com esse ultimo cd e de estar com a primeira demo tape, é o mesmo?
Rodrigo - É a mesma coisa, quer dizer quando você termina uma trabalho o sentimento é igual, mesmo você tendo dezessete ou trinta anos. Eu lembro que minha primeira demo tape, a gente estava conversando aqui mais cedo, que o nosso ex guitarrista arrumou uma gravação do nosso primeiro show sabe, e eu lembro que foi um sentimento maravilhoso, eu tocava mal, era tudo uma bosta, tudo uma merda, mas eu tava amarradão, feliz e é a mesma coisa que eu sinto hoje com uma produção melhor, com uma distribuição melhor..., acho que o sentimento é bem similar assim.

Você ainda esta envolvido com a cena local da mesma maneira?
Rodrigo - Não, eu não me envolvo já com a cena local já há algum tempo, gostaria de me envolver mais. A cena local que você diz é Espirito Santo? Não, não me envolvo, a gente teve muito atrito e muita confusão. Eu acho que cena hardcore brasileira no geral não é muito inteligente, é uma cena um pouco egolatra, ela gira em torno de um pensamento as vezes que tinham que mudar um pouco, não vou dizer quais especificamente, mas eu lembro que quando a gente lançou o "Sirva-se", os caras falavam assim "pô o Dead Fish não é mais o mesmo, antigamente eles faziam demo tape". Eu acho que é sempre necessário dar um passo pra frente.

Quando deram a noticia que o Dead Fish iria assinar com uma gravadora, muita gente cogitou que seria lançado um albúm bonitinho, e foi ao contrário, lançaram um albúm mais pesado, como você explica isso?
Rodrigo - A gente ainda vai lançar um albúm bonitinho, vocês vão ver (risos).

Eu achava que o "Afasia" seria uma linha que o Dead Fish iria seguir.
Rodrigo - O "Afasia" era um momento cara, eu acho que o Dead Fish é uma banda muito de momento assim. O "Sirva-se" era um momento, "Sonho médio" era outro momento, o "Afasia" era outro momento e esse já é outro momento. Então, em torno do que a gente acha que seja musica boa, hardcore ou o que valha, que as pessoas achem que nossa musica seja, a gente tenta fazer o melhor, sabe e é muito engraçado, muitas pessoas já falaram isso pra mim "há tava esperando um albúm...". Eu quero que meu albúm venda milhões, gostaria que o Fugazi vendesse três milhões só no Brasil, já que você esta com a camiseta do Fugazi. Mas o que que acontece as pessoas ficam decepcionadas porque elas estão sempre esperando o pior, essa é a cena hardcore. Eu nunca quiz ser idolo de ninguém, sabe e o cara sempre espera que um ídolo dele tropece pra ele pisar em cima, acho que é mais ou menos isso que é a cena hardcore.

Mas foi intencional, lançar um disco diferente do que as pessoas esperavam?
Rodrigo - Não, não foi nada intencional. Se a gente fosse fazer um disco mela-cueca, que eu quizesse fazer um disco com letras de amor eu faria, nunca tive medo de me expor, já estou super exposto já há tantos anos. Não, era o nosso momento, a gente queria fazer aquelas musicas e aquelas musicas sairam. Por exemplo "Desencontros", foi uma musica que saiu dentro do estudio, eu e o Felipe, a gente meio de bode assim, tinhamos acabado de gravar uma musica, "há vai sair uma musica aqui... Resistir !" e ele começou a tocar uma guitarra e eu segui, a gente fez uma letra em vinte minutos, fomos pra casa tocamos ela e no outro dia falamos "a gente tem uma musica nova e vamos gravar".

O público pode esperar o mesmo peso e energia no proximo cd?
Rodrigo - Eu não prometo nada à ninguem cara, eu só posso me responsabilizar por mim mesmo. Eu cheguei a um nível de individualidade que eu acho que é o seguinte, se você não esta feliz com o que você faz, não adianta querer agradar os outros, sacô!

O Dead Fish passou por várias mudanças de formação. Gostaria de saber se a saída de algum dos integrantes chegou a atrapalhar em relação ao processo de composição das musicas?
Rodrigo - O Murilo e o Juliano eram caras que faziam as bases. Eu agora senti uma facilidade muito maior, porque eu não sou musico né, eu não sei tocar nem punheta com a mão esquerda, mas eu vou aprender..., não tocar punheta com a mão esuquerda, tocar guitarra... sacô (risos). Mas eu senti um companheirismo maior, o Murilo e o Juliano, eles faziam as bases e eu encaixava em cima das bases deles e as vezes eles mudavam alguma coisa mas não tinha uma comlicidade. E eu acho que o Felipe e o Hospede trouxeram essa coisa de sentar comigo, ter uma certa paciência sabe e isso foi legal.

E com a saída do Murilo ou Juliano, alguma vez vocês pensaram em desistir por causa dos caras?
Rodrigo - Não, não por causa disso. Quando o Murilo saiu eu já estava cansado, álias eu estava mais cansado que ele, muito mais cansado que eles. Mas nunca pensamos nisso não.

Mas e ele ainda é amigo de vocês?
Rodrigo - Não.

Então foi briga?
Rodrigo - Foi, foi briga, eu parei de falar com ele durante um tempo, diferenças de idéias, diferenças de..., sei lá, as vezes eu acho que continuo sendo muito moleque com algumas coisas de idéias sabe, e outras não, diferenças mesmo assim. Já com Juliano foi treta feia, coisa de eu querer matar ele, mas isso não vem ao caso agora.

Gostaria que você falasse como esta sendo a receptividade das pessoas que acompanham a banda desde o começo, que viram o inicio do Dead Fish e estam vendo agora?
Rodrigo - Muito engraçado, os nossos velhos amigos, tipo os caras do "Dread Full" de Belo Horizonte, eles gostam muito dessa nossa pesistência, porque todos são médicos, veterinários, administradores e arquitetos e eles queriam estar vivendo isso e eles se sentem muito felizes e verem principalmente eu e o Nô, vivendo assim da coisa sabe, eles ficam muito felizes, meus velhos amigos sentem isso. Agora o mais engraçado é que o Dead Fish tem um ciclo de pessoas que gostam da banda, eu cheguei a essa conclusão esses dias lá em São Paulo, eu acho que o Dead Fish ensinou muita gente a não gostar da própria banda, eu acho que por ser uma banda contraditória, as vezes tem algumas letras que eu acho até moralistas da minha parte e o que que acontece, você bota idéias na cabeça do moleque e ele desenvolve pra outros lados e fala assim "há Dead Fizh é uma banda muito meio termo, eu quero ir pra tal lugar...", eu conheço vários moleques que hoje não gostam da banda que começaram amando a banda muito. e eu acho isso nornalissimo, eu tambem já deixei de gostar de um monte de banda que eu amava, não com tanta vêemencia. Eu acho que é basicamente isso, os velhos amigos adoram e os caras que são mais novos que a gente, que eram fãns em 97,96,98, acabaram deixando de ser fãns porque a gente acabou seguindo sempre a nossa postura, nunca prometemos nada à ninguem, a gente nunca "há é isso que eu penso hoje, mas se quiser amanhã a gente muda de idéia".

E os velhos amigos, o que eles falaram do "Zero um"?
Rodrigo - Muitas pessoas... por as pessoas estarem esperando um lálálá, muita gente elogiou, mas a coisa precisa andar um pouco mais pra gente ouvir alguma coisa dos velhos fãns. Eu não me importo muito com que... me importo com que falam dentro da banda, o que alguns amigos mais proximos falam, mas o que o geral fala..., é legal você ouvir um cara que você não conhece elogiando sua banda, mas quando eles esta esculachando eu já não me importo tanto sabe. É o que você falou, o Dead Fish teve muitas diferenças de um cd pro outro, a gente sempre vai estar decepcionando alguem e fazendo alguem feliz, se você quiser agradar todo mundo, você tá fodido né meu, você vai virar eremita, vai ser complicado.

Alguma letra que vocês fizeram chegou a causar algum mal entendido nos shows?
Rodrigo - "Anarquia e corporation" foram anos de pau e eu ainda acredito pelo shows..., tem letras que eu gosto menos, eu não gosto mais da musica, acho ela muito chata, mas a letra é atualissima, eu acho, acredito e boto meu ponto final ali de novo bonito.

Teve alguma letra em que você foi questionado?
Rodrigo - "Paz verde" cara, "Paz verde" foi uma musica que eu fui muito questionado porque as pessoas diziam que eu estava falando do Greenpeace, saco, e hoje o Greenpeace é super atacado e eu fiz essa letra em 99, não lembro, eu lembro que eu falava assim, olha eu não sou tão fã do Greenpeace eu prefiro WWF, eu acho o Greenpeace muito marqueteiro. Isso eu falava..., é uma merda ficar lembrando essa coisas assim, mas eu falava há quatro anos atrás e hoje todo mundo desse a lenha no Greenpeace e muitos dos caras que fizeram marketing pro Greenpeace, hoje fazem marketing pras grandes empresas, tipo ***Waiacom, Monsanto, microsoft***. Era uma coisa comercial aquela postura verde deles e eu fui muito quetionado, mais até que em "Anarquia e corporation".

Houve alguma discussão nos shows?
Rodrigo - Não, no show não. Eu nunca me permiti bater boca no show, agora depois do show eu já discuti muito, muito mesmo. "Anarquia e corporation" foi a que deu mais essas coisas de discutir, "não é o que eu acho", dai as pessoas ficavam putas e vira assim pra você "rock star, estrela!". Pense o que quiser!

Há um tempo atrás o Dead Fish mudou todo seu merchandise para "Rock do terceiro mundo" e tirou o hardcore. Porque?
Rodrigo - Eu acho que estava muito desgastado, a gente estava sendo muito questionado se eramos hardcore ou não, se a gente tinha postura hardcore ou não e eu falava assim "há tira isso dai, deixa samba do terceiro, pagode do terceiro mundo, não me importa, me importa a musica que estou fazendo e se estou sendo feliz".

Mas agora voces estão em todos os meios de comunicação como hardcore.
Rodrigo - Mas não fomos nós que falamos isso!

Porque agora era o momento de falar "Rock"
Rodrigo - Agora era o momento de dizer somos uma banda de rock, é..., é não tinha pensado nisso....(risos) Era o momento de dizer "náo somos uma banda de rock", mas não, o que que aconteceu, com o passar do tempo, eu não sei, as pessoas voltaram a falar que o Dead Fish é uma banda de hardcore, por algum motivo. Eu me acho um menino hardcore, continuo sendo o mesmo garoto inocente, as vezes até meio idiota em alguns aspectos, mas isso não me incomoda não, eu quero chegar aos quarenta e o cara vai olhar pra mim e falar "olha só aquele moleque não vai crescer nunca, né, babaca com quarenta anos".

Se o Dead Fish vender cinquenta, cem mil cópias...
Rodrigo - Orra bicho tomara!... já vendeu doze (risos)
(continuando) Vocês vão mudar a história do rock nacional. Mas voces acreditam que vão influenciar o pessoal que esta montando banda agora e pensava "há vamos fazer um violãozinho pra ver se a gente arranja gravdora"?
Rodrigo - Não, não, não acredito nesse papo, isso é invenção de mito, invenção de mitologia. Eu acho que o Ramones teve seu papel, mas não é o deus que é, Yggi pop tambem teve seu papel, mas tambem não é o deus que é, o Harry Rollings, Jello Biafra que é o que eu tenho mais apreço, tem seu papel importantíssimo, me influênciaram, mas não vão mudar o todo, mudar o todo da história do rock, eu estou dizendo assim.

Mas o que eu quiz dizer é que depois que o Cpm ficou famoso, apareceu um monte de banda fazendo cara de bonzinho e fazendo rock, quero dizer se vai ser a mesma coisa com Dead Fish?
Rodrigo - O Cpm é muito atacado né, quero ver o momento que a gente vai ser atacado pra caralho assim...

Não, é só um exemplor. Mas não apareceu?
Rodrigo - Apareceu sim, essas coisas são normais, quando o Nirvana estourou todo mundo era grunge.

Então, você não acha que vai aparecer um monte de banda hardcore?
Rodrigo - Isso é normal cara, chegam alguns anos depois muitas bandas..., eu acho que a gente começou imitando, quer dizer tentando imitar o Bad Religion muito e depois a gente foi tomando nosso caminho. Está certo que é muito chato você ver umas bandas cover do cover do cover assim né, mas isso passa.

Mas você ainda não respondeu minha pergunta, você acredita que vai surgir os caras tocando hardcore embalados pelo sucesso do Dead Fish?
Rodrigo - Já existe um monte de cara tocando hardcore, hardcore até mais engajado que o nosso.

Mas visando o mainstream?
Rodrigo - Mainstream é um grande... meu, o que sustenta mesmo é a molecada independente. Hoje as pessoas podem atacar a gente por estarmos no mainstream assim, mas a gente esta tocando aqui hoje, é o que nos faz...

Não, mas...
Rodrigo - Vai aparecer, claro que vai aparecer!. A resposta é sim!, sim!, vai aparecer e eles vão se dar mal, muito mal (risos)

Mas o Dead Fish é uma banda que não dá pra falar que não é underground, se não vocês não estariam tocando nesses becos aqui. Tem um lugar aqui que é pra quinze mil pessoas, se vocês fosse mainstream, vocês estariam tocando lá.
Rodrigo - E qual problema da gente estar ?

Nenhum. O que eu quero dizer é que vocês continuaram na mesma cena underground só mudou a estrutura.
Rodrigo - Talvez a gente mude e daqui há algum tempo vai ser mais complicado tocar em lugares menores, mas isso é um momento, isso passa.
Hospede - Mas a gente vai acabar aqui, quando a gente tiver sossegado a gente vai voltar aqui.(risos)
Rodrigo - A gente vai voltar e acabar aqui, sabe.... Isso nos alimenta. Hoje teve uma hora no show que eu estava esperando tudo de ruim no show, teve uma hora que eu olhei pra molecada e falei assim "puta vai tomar no cú essa merda, as vezes eu fico com a maior raiva falando, porra! devia ter tirado meu OAB". Mas não, chega no meio do show você fala "OAB o caralho velho! eu quero essa porra aqui!". Eu quero fazer um cover do Roberto Carlos algum dia, mas os caras da minha banda nunca querem, os caras da minha banda não têm visão comercial. (risos)
Hospede - A gente é profissional, a gente só tem com equipamento top, só com montanhas de amplificadores(risos)
Felipe - A partir de duzentos quilometros só avião cara.(risos)
Rodrigo - Eu falo uma coisa o cara fala outra, tá vendo a gente é profissional cara. (risos)

Gostaria que você falasse sua opnião sobre zines, e-zines, zines impressos. Eu sei que você colecionava.
Rodrigo - Eu colecionei até 2001, eu devo ter uns três mil ou quatro mil, catalogadinho. Eu vou doar um dia para uma zineteca que estava se formando lá em Vitória, se eles não fizerem eu vou doar para uns amigos meus aqui em São Paulo, não quero mais eu vou acabar estragando. Os zines on line são mais dinâmicos, as coisas são mais digerível né, por exemplo "Cocada boa" é um zine muito legal, mas eu gostaria de guardar algumas coisas dele. Vocês já viram "Cocada boa"? É um zine on line muito legal. Em muitos zines on line eu fico com aquela nostalgia de falar assim "pô eu tinha que ter isso aqui pra eu guardar, pra daqui há dez anos eu ter", não sei, eu sou um cara meio não biodegradável, gosto de papel, pilhas de papel. Mas os e-zines, eles podem alcançar mais gente, podem ser mais dinâmicos, mas eu acho que eles são mais... dá-se menos atenção, não sei, eu não coinsigo explicar muito esse fenômeno internet.

E os zines inpressos?
Rodrigo - Eu acho falta. As vezes eu vejo a banquinha aqui da "rapeize" e sinto falta de ver umas paradas assim. Mas em breve sei lá, eu tô tentando entrar em acordo com um cara que vende livros, não sei se vai dar certo..., acho que não vai dar certo porque ninguém gosta de ler, mas acho que vou ter uns livrinhos, humildemente.

Mas você não tem contato com os zines.
Rodrigo - Eu recebi um zine outro dia num show e achei um dos piores zines que eu já vi na minha vida, não sei se foi em Jacarei ou Pira. "Meu", eu li o zine e falei "saudades do Chimarrão for all'", saco, umas coisas do genêro. Mas as coisas mudam cara e têm que mudar mesmo, não podem ficar estaticas não, porque se não você vira um alemaozão, um inglesão.

Para finalizar a entrevista...
Rodrigo - Não, não continua que esta legal!

O que o Dead Fish significa na sua vida?
Rodrigo - Dead Fish?, o Dead fish... eu não costumo levar tudo muito a sério, eu acho que o Dead Fish foi melhor que minha faculdade, é um aprendizado, esta sendo e vai ser um aprendizado melhor do que a universidade.

Em uma palavra seria o quê?
Rodrigo - Seria crescimento, estrada.

E você Nô? O que o Dead Fish significa na sua vida?
Nô - Bicho, é o que eu fiz na minha vida que há de concreto, eu não tenho filhos, não sou casado, me formei mas não era isso que eu quero. É tudo pra mim hoje em dia.

Em uma palavra?
Nô - Encheção de saco (risos), família cara, família.

Quando vocês lançaram o demo clip "Sonho médio", vocês não mandaram ele pra MTV porque era tosco e vocês falavam que não gostavam da MTV e que eles não passariam o demo clip mesmo e que era um lance de não ter certeza sobre o que realmente vocês queriam !...
Procede tudo isso que eu falei ?
Rodrigo - Cara. Mais ou menos, mais deixa como esta.

E agora o que vocês pensam hoje em dia?
Rodrigo - Eu acho que a gente a partir do momento que entramos numa gravadora ela tambem tem objetivos traçados pra gente e que basicamente algumas coisas a gente pode até não concordar, assim tambem como eles não concordam com um monte de coisas que a gente faz. Então a mtv, eu fiquei muito chateado com o lance do dvd no começo, eu falei "porra vão gravrar um dvd, os caras estão querendo se aproveitar do meu momento comercial" (risos). Depois eu fui vendo assim, "porra é o Fabrizio que toca no Street que vai ser o diretor, fodasso! e tem um monte de camarada nosso, fodasso!", no dia lá eu vi a Elisa do Dominatrix, um monte de caras das antigas e eu falei "porra, as vezes eu encanei muito com aquela coisa hardcoreana e no final das contas foi uma coisa super agradável ter gravado o dvd pra mtv. E essa coisa de estar na mtv é uma coisa da gravadora, eles precisam da mtv e a mtv precisa deles e a gente tá ali no meio, tomara que nos ajude bastante, como eu disse, eu quero que o meu cd venda milhões, gostaria muito, gostaria que o Garage Fuzz vendesse milhões, gostaria Steet Bull Dogs vendesse milhões, gostaria que os selos independentes pudessem competir, se não de igual pra igual, mas pelo 70% com aos selos grandes, como é lá fora, como é na europa, como é no Estados unidos saco, claro que com aquela atitude mais honesta. Mas é isso acho que a mtv nesse aspecto esta pra ajudar, não sei se vai..., o que que vai acontecer daqui há um ano ou dois, se a gente vai estar fazendo propaganda da coca cola assim, eu necessáriamente não bebo coca cola, não bebo refrigerante. Mas eu não sei cara, é complicado te dizer o que eu acho da mtv, ou o que eu deixo de achar, eu acho que um emissora que eu vejo de vez em quanto, não é um emissora que eu goste de ver sempre, porque não passa musica mais, mas ela esta nos ajudando cara, sabe, tem gente lá dentro que eu tenho muita estima assim, são pessoas que eu boto a mão no fogo, gente de verdade, gente de verdade como tem na cena hardcore, assim como na cena hardcore e na cena independente tem muita gente de mentira. Não dá pra ser cristão nem fundamentalista nesse aspecto.

Deixe uma mensagem pras pessoas que vão ler a entrevista.
Rodrigo - É..., vamos ai, vamos deixar o tempo passar e ver o que vai acontecer, o que a gente fala hoje pode ser a nossa piada de amanhã. E eu continuo acreditando que, por mais que as pessoas falem "hardcore é coisa de adolecente engajado", sabe aquelas coisas de jornalista que quer imitar o Paulo Francis, eu ainda acredito em rebeldia, eu ainda acredito que ainda exista uma revolução individual pra ser colocada em pratica, eu acredito que as pessoas individualmente podem mudar de postura e eu acredito que muita coisa deve ser destruida pra que isso aconteça. Os caminhos não sou eu que vou indicar não, cada um vai achar o seu caminho e que a gente possa se encontrar daqui há um tempo, não um contra o outro , mas um do lado do outro pra que as coisas melhorem. Humildemente amém. (risos).

www.deadfish.com.br

 
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