DISCARGA

Mais uma entrevista com uma das minhas bandas favoritas. Fiz essa entrevista com Daniel e o homem bandas Juninho, no Libertion Fest Jabaquará SP.O Daniel estava meio timido, mais foi muito gente fina. Pra mim foi uma grande satisfação fazer essa entrevista, além de ser exclusiva é uma das minhas bandas do Coração. Com vocês Discarga.

Por: Nelson Jr.


Comece falando um pouco da história da banda, discografia, primeiros shows...
Daniel - A banda começou em mais ou menos Abril de 98. A gente queria ser uma banda de três vocais e mais baixo, guitarra e bateria, mas não deu certo, os caras que eram pra se vocal não estavam muito interessados. E dai foi saindo, saindo e ficou somente três pessoas, o Nino bateria, Douglas no baixo e eu tocando guitarra e fazendo vocal. A gente fez o primeiro show quase no fim de 98 mesmo e nessa época um carinha de Santos, o Fred, ouviu e falou " pô,vamos gravar uma parada", dai a gente gravou umas quatro musicas, que saíram numa coletânea que chama "Protesto punk". Na época já era bem diferente do que é hoje, o vocal era diferente. E a banda foi rolando assim, entrou outro guitarrista uma época que também não ficou. Gravamos umas musicas que virou um a demo e essa demo chegou na mão de cara de uma gravadora americana, Max, da 625records e ele falou "vamos gravar e lançar, tal", gravamos e saímos com primeiro Ep no Estados Unidos em 2000. Nesse mesmo ano a gente fez uma turnê pelo Sul e foi pra Argentina. E no ano seguinte o Douglas saiu da banda e entrou o Juninho que esta até hoje. Gravamos umas musicas novas e lançou um Lp e assim tá até hoje.
Os primeiros shows saíram daquele jeito né, você nunca sabe como vai ser. O primeiro show a gente tinha quatro musicas só e tocamos as quatro e mais duas repetidas de novo porque não tinha mais, bem tosco.

A banda ainda segue a mesma proposta desde 98? O que mudou até hoje?
Daniel - Quando montamos a banda, queríamos ser uma banda crust mas nunca deu certo, porque a gente não era muito crust, éramos meio limpo assim. Então o que aconteceu é que ficou assim, sempre quisemos tocar rápido e tocamos rápido até hoje. As idéias das musicas a gente é sempre procura ver um lado positivo, acreditar que sempre vai ter uma mudança e incentivar isso nas pessoas, de todo mundo ter pensamentos positivos sobre as coisas.

E quanto ao straigthedge, qual é o envolvimento de vocês com a filosofia?
Daniel - O baixista e o baterista são straigthedge, eu não sou mas sou amigo de muitos straigthedge aqui de São Paulo, se eu sou envolvido com isso..., eu não bebo, não fumo, sou vegetariano também mas eu não falo que sou straigthedge porque pra mim não é tão importante ter esse nome, mas acho uma coisa legal.

Vocês acha, que a filosofia straigthedge é ligada ao movimento punk? Qual a opinião de vocês sobre o movimento punk?
Daniel - Eu acho que é ligada ao movimento punk, tanto porque veio disso. Mesmo tendo sido uma coisa que na época os caras falaram "não, a gente não quer ser igual", mas pra mim é a mesma coisa, pra mim o straigth edge é punk, não importa o que os outros falam, a minha visão é essa.

Conheci o Discaga através da coletânea "Basta acreditar vol.2". Gostaria de saber, pra vocês qual a importância de ima coletânea para uma banda independente"?
Daniel - Eu acho que é bom porque..., vou falar no sentido de quem faz a fita, por exemplo, os caras que falam assim "vou fazer uma fita pros meus camaradas ouvirem e conhecer umas bandas que eu acho legal", eu acho que isso é bom. Tanto porque pra gente..., um monte de gente nos conheceu porque gravamos, fizemos uma fitinha e começamos vender, a gente trabalhava numa loja no centro, na galeria, montamos a banda, gravamos a fita e começamos a vender a fita e um monte de gente foi achando legal. E essa "Basta acreditar", foi o Marcelo, que toca no SickTerror, se não me engano, ele falou "pô vamos fazer e tal". E sempre tem alguém que quer fazer uma fita de alguma parada. E no exterior a gente tem contato com moleque que mora na Malásia, na Indonésia e eles vivem querendo fazer umas fitas, então a gente fala "meu faz a fita ai e manda brasa", é isso mesmo.

Em 98 vocês fizeram uma mini tur pelo Sul e Argentina. Vocês tem pretensão de fazer uma turnê pelos paises vizinhos, América do Sul?
Daniel - Pretensão a gente tem né, o problema é a grana que não é fácil, todo mundo trabalha e é difícil você deixar seu emprego porque é difícil a situação do nosso país, não tem emprego, a gente não pode simplesmente deixar os empregos assim do nada, pagando do bolso e não esperar nada depois. Mas se a gente puder a gente faz, vamos por nordeste agora.

Como foi pra vocês a experiência da turnê na Europa?
Daniel - Foi ótimo. Eu conheci um monte de lugar, eu nunca tinha ido, os outros caras já tinham ido. É um pouco diferente daqui porque a organização de lá já tem uma estrada de..., sei lá, fazem uns vinte anos que eles fazem isso sempre, então é diferente, é legal. É uma ótima experiência.
Juninho - É foda porque antes de ter ido com Discarga eu já tinha ido duas vezes com Points, que minha outra banda que eu toco guitarra, e é muito loco você conhecer outras cenas de hardcore, porque aqui você cresce com a realidade daqui misturada com hardcore americano europeu, tipo assim, no mundo inteiro as pessoas ouvem o mesmo som, só que cada uma tem influência do dia a dia, voce vê que é diferente o jeito das pessoas de um pais para o outro. É legal você estar tocando em outros lugares pra ver como que é as influências de cada um, mas pro hardcore, lá tem uma diferença grande de show, tipo o Points tem um publico mais metal, o Discarga já é mais trash core, hardcore old school assim, punk e tem vários lugares lá Europa que isso não mistura. E aqui no Brasil a gente sempre faz shows por exemplo, com Points e o Discarga num show só e lá na Europa isso é uma coisa estranha, tocar uma banda de hardcore rápido com uma de metal junto, é meio que tem várias cenas que são separadas as coisas. É uma experiência foda de conhecer um monte de lugares diferentes, gente diferente, várias línguas, os caras falando de lugares que você nem imagina, Republica Theca, muito loco.

Como que rolou o contato de vocês com a 625records americana?
Daniel - O Douglas que tocava baixo antes mandou uma fita, uma demo e dai o cara ouviu e gostou. E dai ele já se correspondia com outro amigo nosso que falou "pô legal, os caras são meus camaradas" e foi assim que rolou. Nós mandamos o cara gostou, entrou em contato e dai surgiu todos esses bagulho de fora, tudo por causa disso ai.

Se vocês pudessem regravar um Cd de qualquer banda em qualquer época, qual seria?
Daniel - Eu não sei cara.
Juninho - Manliftingbanner acho que é a banda que a gente tem uma influência bem grande.

Quais são os planos para 2004?
Daniel - A gente quer ir pro nordeste fazer uma turnezinha lá e continuar tocando no maximo de lugares que a gente puder, um monte de lugar que não fomos ainda a gente quer ir tocar.

E Europa?
Daniel -Talvez ano que vem de novo.

Como esta sendo pra você Juninho conciliar tantas bandas, O Inimigo, Points of No return, Discarga e Ratos de Porão?
Juninho - Eu sou um cara que sempre tive um monte de banda. Hoje em dia eu estou tocando em três bandas que tocam muito, que ensaia muito e não estou trabalhando em emprego normal, tô só tocando, eu fico em casa e consigo contribuir com todas as bandas, horário pra ensaiar, shows, faço muisca... O problema era quando trampava o dia inteiro, de manhã até o final da tarde e tinha que ensaiar de noite e cada dia com uma banda era cruel. Mas hoje em dia por mais que eu tenha mais banda esta mais tranqüilo.

Qual opinião de vocês sobre zines impresso e e-zines?
Daniel - Há eu gosto do dois, mas eu preferia zine impresso, porque eu gosto de pegar no papel assim. Mas acho que os dois são bons independente. A idéia é boa, mas acho que os caras que fazem zines na internet podiam fazer zine no papel também tá ligado, porque assim os caras tem como passar pela região onde vive ou vender pelo correio e se um cara lá do outro lado do mundo quiser pegar ele vai ter na internet também. Agora teve muitos zine que sumiu porque ficou só na internet. Um monte de moleque não tem acesso á internet, é mais fácil o cara ter um zine de papel pra ler entendeu.

Deixe uma mensagem pra galera que vai ler a entrevista e seus agradecimentos.
Daniel - Vibrações positivas para o futuro...e é isso aí.
Juninho - E agradecer todo mundo, a você que fez a entrevista, agradecer todo mundo que ouve a gente, que gosta da banda, que escreve pra gente falando que curte o som e quer marcar shows assim, sei lá. Com a banda conhecemos gente pra caramba, queria agradecer a isso.

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