HATEEN
Mesmo
com todas as dificuldades para tocar, o Hateen, uma das melhores bandas
do Brasil, faz o possível e impossível para continuar com
um trabalho que vem do coração.
Por:
Nelson Jr.
e Geise Paula
Comece
falando um pouco da historia da banda, primeiros shows, discografia ...E
fale um pouco do momento atual
da banda
Koala - Primeiro show vai ser foda de lembrar meu! O primeiro show eu
não lembro sinceramente, foi em 94, faz muito tempo e de lá
pra cá muita coisa aconteceu. E no momento atual da banda, hoje
em dia a gente toca pouco por causa do Japinha que não tem tempo,
mas a banda continua, fazemos musicas novas, gravamos disco novo, não
ensaiamos toda semana e faz poucos shows. Mas os shows são sempre
mais concorridos porque são poucos, não tem o roteiro de
uma banda como StreetBulldogs que toca rodo final de semana praticamente,
no Hateen isso não acontece. Mas quando toca é legal pra
caralho, da a maior galera e depois fica a maior cara sem tocar. Pra fazer
um show fora se São Paulo por exemplo, é uma mágica,
tem que depender de muitos fatores assim. Então é uma guerra
manter o Hateen de pé.
É uma guerra que você pretende continuar ainda por muito
tempo?
Koala - Claro! O dia que eu parar o Hateen, praticamente minha vida com
musica esta acabada, eu toco no Street,
tem outras coisas que eu toco também mas, o Hateen é uma
coisa muito pessoal minha e do Japinha muito pessoal dele, tanto que por
isso que ele não deixou acabar até, porque ele não
tem razão nenhuma pra continuar, ele podia ter largado tudo e falado
"foda-se cara, eu já to bem, tenho grana", mas ele só
não fez isso porque é uma coisa pessoal minha e dele, então
dificilmente vai acabar.
E
esse lance de ficar muito tempo sem tocar?
Koala - É foda.
Acaba
sendo uma motivação pro show ser ainda melhor quando for
tocar?
Koala - Não, também mas assim, eu apredi a lidar com isso.
No começo era uma merda, no começo eu ia dormir
pensando assim "eu quero que o cpm acabe, eu quero que caia o avião
e alguém morra..."(risos), por que era minha banda indo pro
saco entendeu. Mas com o tempo, foi passando e eu falei "pô,
a gente também esta experimentando uma nova coisa" que é
assim não ter oportunidade pra tocar tanto mas quando toca é
super legal.
Então eu comecei a entender a coisa de um jeito e falei assim "pô,
aquilo é o trabalho dele", vamos supor que ele
tivesse um trabalho fodido que não fosse banda, que fosse um trabalho
filho da puta numa bolsa de valores, em
qualquer lugar do tipo que ele não tivesse tempo iria ser pior
ainda. A gente ia continuar tendo pouco tempo pra
tocar, ele não ia sair da banda por que ele formou a banda comigo,
íamos continuar tocando pouco e ele iria ser
bem mais infeliz. E hoje em dia ele é super feliz com que ele faz,
a gente toca pouco, nó somos felizes, a gente
ensaia e da risada o tempo todo meu, é uma beleza tocar no Hateen
vai, só não faz muitos shows, mas é um
paraíso.
Fabrizio - É! Mas quando toca todo mundo esta feliz, querendo fazer
aquilo com uma vontade que é incomparável.
Koala - E ai, lógico, da um puta tesão você ficar
três meses sem tocar para um publico, por exemplo em São
Paulo, porque em São Paulo a gente consegue fazer mais shows. E
sabemos, a gente conhece nosso publico, a molecada fica implorando "pô,
toca, toca", nós nos sentimos mal de não ter tempo
de fazer shows e quando fazemos e os moleques estão lá meu,
é a maior prova de que mesmo tocando pouco tem muita gente que
gosta e que conhece.
Gostaria
que vocês fizessem uma comparação entre os três
álbuns do Hateen.
Koala - Há, é simples! Já respondi um milhão
de vezes. "Hidrofobia", inocência, começo de uma
banda inocente
atirando pra vários lados pra ver aonde que acerta, moldando a
própria personalidade da banda, então um disco
que tem uma influência mais guitarband, hardcore tudo meio junto,
que é o que a gente sempre quis fazer na vida,
nunca quisemos ser nem hardcore e nem guitarband e sempre gostamos das
duas coisas misturadas. Mas ali é mais evidente tudo isso. "Dear
life", puta!, fase baixo astral, todo mundo fodido, problemas com
grana, mulher, casa, família... Não da pra entrar num mérito
de falar sobre o que estava acontecendo naquela época porque vai
parecer uma novela, sinceramente, era uma fase filha da puta, todo mundo
fodido, deprimido, com droga, com álcool, meu... Então saiu
aquele disco mais pra dentro, mais intimista e mais pessoal. O "Loved"
já mistura um pouco de cada um, eu acho que é "Hidrofobia"
misturado com "Dear life", ele é bastante pessoal, bastante
apaixonado, sincero, do coração e ao mesmo tempo ele tem
energia e tem gás. E acaba "misturando os elementos"
de tristeza, o dia a dia do ser humano com a energia do punkrock e do
hardcore. Então o "Loved" é o meio termo do que
a gente já tinha feito no passado entendeu. E no meu ponto de vista
é isso, "Hidrofobia" inocência total, tentando
descobrir o caminho, "Dear life" uma super fase difícil
que a gente teve, ali poderia definir se a banda iria continuar ou não
e depois teve o ao vivo e tudo que foi uma força pra gente. E o
"Loved" seria o meio termo de tudo, acho que é o melhor
momento que estamos assim, todo mundo bem com tudo e sem problema nenhum.
O
Hateen teve a mudanças de integrantes que ficaram anos, o Boris,
o Cesar... Como que rolou essas mudanças, elas atrapalharam? E
como foi a entrada do Fabrizio, foi por acaso ou vocês estavam tocando
no Street e você falou " ô quer tocar comigo"?
Koala - Vou respoder do Fabrizião, já tocava com ele no
Street, já rola uma química fodida de amizade, de guitarrista
e de tudo. E justamente na gravação do "Loved"
o Boris já estava com a cabeça voltada para o outro projeto
dele que era o Boderlines, e tal, estava super voltado pra isso, já
não ia na gravação e já começou a dar
umas mancadas. E o Fabrizio chegava do trabalho, como ele mora em frente
ao estúdio onde a gente estava gravando o disco, ele chegava e
is até lá dar um "oi" e ficava a madrugada inteira,
tomando cerveja, comendo uma pizza, porque nós somos brothers e
dando palpite "pô que legal essa musica, nossa que não
sei o que...". E assim, pintou a aportunidade de chamar ele porque
a gente numa hora que ele não estava lá, um olhou para o
outro e falou "pô, Fabrizio é legal pra caralho né
meu, acho que ia dar certo se ele tocar com a gente".
Chamamos ele e no dia seguinte ele aceitou, acho que nem em uma semana
ele já estava fazendo shows e esta até hoje e meu não
me arrependo, estou feliz da vida com essa mudança, porque o Boris
saiu super feliz, sem brigas, saiu pra fazer uma parada que ele gostava
e o Fabrizio entrou assumindo uma puta responssa de uma parada que ele
também gostava, então eu fiquei feliz. O Cesar já
saiu um pouco mais assim brigando, mas eu não tenho problema nenhum
com Cesar, gostaria de deixar bem claro isso, ele saiu por minha causa,
ele diz por ai aos ventos, mas eu acho que a causa dele ter saído
foi ele mesmo que não agüentou o tranco e tal e ele não
quis assumir isso e preferiu colocar a culpa em mim. É foda, você
se acostuma a tocar com uma pessoa anos e anos e quando muda é
sempre dificil. Mas o Fabrizio parecia que eu já nasci tocando
com ele, então pra mim não foi dificuldade nenhuma.
E
você Fabrizio?
Fabrizio - Há, eu não tenho muito que falar depois disso,
mas é isso mesmo, eu sempre fui fã do Hateen de ir em
show, cantar e tudo mais e sempre pirei na banda. Até que ele entrou
tocar no Street, viramos amigos e tal e ai o
cara quis sair ficou uma vaga livre e ...
Koala - Saiu o cara quis entrar né meu!(risos)
Fabrizio - O Koala olhou pro lado e falou "pô o cara que toca
comigo aqui no Street, que eu sou brother, que eu já
gosto dele tocando guitarra e gosta da banda, pô porque não
né", ai foi meio que isso. Então ele me chamou numa
terça-feira, na sexta ensaiamos e no sábado fiz dois shows(risos).
Porque eu já sabia tocar quase todas as musicas em casa.
Koala - O cara pegou vinte musicas em um ensaio.
Fabrizio - Eu nunca fiz curso de guitarra, nunca aprendi tocar guitarra
direito, eu só coloco o disco da banda que eu gosto e fico tocando
e foi assim que eu aprendi a tocar guitarra. E uma dessas bandas que eu
gosto muito sempre foi o Hateen, então eu botava o disco e ficava
tocando em cima. Então ele me ligou e falou assim "então
se rolar ai meu, de tocar com Hateen você topa, como é que
é?" e eu "há, quando que é o ensaio agora,
hoje ou amanhã? que horas que é o show?"
Koala - Diz que um dia ele foi num show do Hateen a muito tempo atrás
assim...
Fabrizio - Essa história é foda.
Koala - E falou pra mina dele, na época ele namorava uma garota
lá e falou pra ela "pô, um dia eu queria tocar
numa banda desse jeito, acho legal pra caralho", isso a cinco anos
antes da proposta acontecer. Então pra você
ver, é muito louco tudo isso, acontece essas coisas.
O
Hateen fez seu show do lançamento do dvd numa quinta-feira com
casa lotada. Queria saber se quando vocês
começaram, quando tinha várias bandas surgindo no cenário
paulista, se vocês imaginavam que um dia isso
pudesse acontecer?
Koala - Imaginava nos nossos sonhos meu, todo mundo sonhava..., Porra!
Imagina, eu cansei de tocar a troco de
uma garrafa de cerveja, a troco de nada, eu paguei pra tocar durante muitos
anos da minha vida. Porque eu
sempre gostei de tocar. E eu nunca imaginei que seria desse jeito entendeu,
como é hoje, existe muito para muitas bandas hoje e existem muitos
lugares pra tocar. É uma evolução natural eu acho,
o Brasil é bem mais atrasado em relação ao resto
do mundo em todos os sentidos, acredito que daqui a dez anos, o Brasil
possa estar vivendo o que os e.u.a esta vive hoje em termos de banda,
que é um milhão de lugar pra tocar, com uma puta nfraestrutura
legal, as bandas menores com uma puta qualidade fodida e equipamento bacana.
Nós estamos atrasados uns dez, quinze anos eu acredito, mas assim,
pode chegar e esta chegando. Se o rock deixou..., punkrock e hardcore,
deixou de ser uma coisa "marginal", alcançou a rádio,
alcançou a mtv e entrou nos colégios. Então a molecada
esta se identificando com isso, é mais uma opção,
eles não precisam mais consumir o pop enlatado, nem o pagode e
o sertanejo, tem mais uma opção que não deixa de
ser mais um estilo de vida e isso inclui casas de shows, bandas e etc...
E
essa evolução do país vocês acham que depende
do que?
Koala - Do que? Tempo, tempo e assim, uma coisa muito importante internet,
que fez com que tudo ficasse mais
acessível, informação, acesso a informação
e globalização. Quando eu comecei a escutar musica pra comprar
um
disco era uma peregrinação, você ia muitas vezes numa
loja de importados comprar disco de uma banda que você
queria e acabava saindo de lá com uma banda que você não
queria, mas só pelo prazer de estar saindo com um
vinil de uma banda alternativa, de punkrock ou de hardcore, isso lá
em 90,89, porque não tinha cd também era vinil e vinis não
tinham de tudo e era muito caro. Hoje em dia o moleque conhece uma banda
de ouvido, ele vai na
internet, baixa tudo, gosta e compra o cd original ou não, muito
moleques não compram, mas gostam e vão nos
shows. E fanzines também cresceu muito no Brasil..., poxa, eu lembro
que fanzine era uma coisa que existia pra
caralho, hoje em dia quase não existe fanzine impresso, todos são
on line, na internet justamente para facilitar o
trabalho do acesso, todo mundo tem acesso a internet, quase todo mundo
do meio assim e se você pegar todos
que estão aqui, todos têm acesso à internet, ou tem
computador em casa ou usa no colégio na faculdade. E isso
facilita pra caralho, a pessoa entra no site da banda, vê a discografia,
vê quando a banda foi formada, vê quando
vai ter show, isso é uma ferramenta que esta sendo importante para
o crescimento da cena.
E
para o Hateen que começou há dez anos atrás, vocês
acham que houve alguma melhora, vocês acham que esta
100% melhor do começo do Hateen pra hoje em dia?
Koala - Não sei 100% melhor, mas é igual, pra mim é
igual.
Fabrizio - Uma banda sempre vai ser melhor, se ela nasceu ontem, amanhã
vai ser melhor e daqui um mês ela vai
melhor e estará sempre melhorando.
Koala - Hoje eu falo de boca cheia que na minha banda, no Hateen, tocam
comigo os músicos que eu mais gosto no cenário underground
nacional, pra mim é a melhor banda, eu acho o Japinha o melhor
baterista do cenário, eu acho o Fernado o melhor musico, porque
ele é guitarrista, baixista e o caralho do cenário e eu
acho o Fabrizio o melhor guitarrista do cenário. Então pra
mim hoje esta melhor do que no começo.
Mas
em relação a cena, vocês sentem saudades de alguma
coisa?
Koala - Eu não sinto saudade de nada cara, não sinto saudade
de namorada... de nada do passado assim.
(Para o Fabrizio) E você toca a quantos anos?
Fabrizio - No Hateen eu toco a um ano só, mas há uns quatro
ou cinco.
Koala - Eu sinto saudade de não ter tanta banda emo, porque hoje
em dia é a maior palhaçada, todo mundo monta
uma banda emo, puxa os cabelo pro lado, chora, há meu Deus do céu!(risos)
(Para Fabrizio) Você começou a tocar no Fistt?
Fabrizio - Eu comecei no Fistt sim, eu tinha outras bandas, mas eu morava
em Pirassununga interior, então quando eu mudei para Jundiaí
eu entrei no Fistt e depois fui pra São Paulo e acabei entrando
no Street e agora no Hateen.
Já
que você falou de comprar vinil, quais eram as influências
de vocês quando o Hateen se formou e quais são agora com
a nova formação?
Koala - Quando eu montei o Hateen, eu não conhecia nem hardcore
direito, conhecia só punkrock, porque hardcore mesmo foi surgir
um pouco depois daquela época do que eu estava ouvindo. Então
as influências eram Nirvana, era Wezzer, Sonic Yuth, Pixies, eram
as guitarbands, era isso basicamente. E logo que montamos a
banda, começou a ter muito acesso a musica e começamos a
conhecer muita coisa de hardcore, melódico no caso e acabou unindo
tudo, No use for a name, sei lá, Nofx, Pennywise, tudo que a molecada
quando começa a ouvir, começa com essas bandas. E hoje em
dia, sei lá, eu ouço tanta porcaria, Moby, Chemical Brothers,
ouço de tudo na minha casa, punkrock, Slayer...
E
no início do Hateen, com quais bandas vocês costumavam a
dividir palco?
Koala - Que eu vou me lembrar..., um monte, que esta na ativa até
hoje, Garage Fuzz, Againe, a gente também
tocava com Pinups, tocava com o Gritando HC, eu me lembro de ter tocado
com Grtitando HC várias vezes, Holly
Tree, Dominatrix, o proprio StreetBulldogs tocamos com eles também.
E
Hoje em dia é totalmente diferente as bandas com que vocês
tocam?
Koala - Hoje em dia é..., a gente não tem muito controle
sobre isso, geralmente quando vamos marcar um show as
bandas já estão pré estabelecidas pela casa, então
às vezes a gente não sabe nem qual banda é direito.
No caso
de alguns shows nós conseguimos escolher as bandas, chamamos as
bandas de amigos, como a banda que vamos tocar dia 23, festa de natal,
encerramento do Hangar, então conseguimos juntar o Aditive que
são nossos amigos, chamamos o MXZero que são uns moleques
que são brothers também, o Againe que é a banda do
Fernando e conseguimos juntar todo mundo ali pra fazer uma festa, ai deu
certo. Mas muitas vezes..., se a gente vier tocar aqui em Sorocaba por
exemplo, nós não vamos nem saber quem vai ser a banda de
abertura, porque quem organiza isso geralmente é o cara que faz
o show né.
Fabrizio - Sempre vão ter bandas novas, só que a diferença
é que naquela época todas as bandas eram bandas
novas, então todo mundo tocava junto e eu acho que sempre a maior
tradição é as bandas de abertura serem as
bandas mais novas.
Koala - Tinham poucas bandas naquela época, hoje em dia tem muitas
bandas, hoje em dia o publico que vai no seu show, metade no mínimo
tem banda. Então é complicado, você esta tocando pra
outras pessoas que tem banda, naquela época você tocava pra
pessoas que não tinham banda, uma ou outra tinha banda, então
a galera até te olhava com outros olhos, hoje em dia existe um
olhar muito critico, nego já esta esperando você errar na
guitarra pra falar "hi, erro, era ré, ré menor!!".
E existe uma coisa meio chata, e isso é coisa de metaleiro, no
publico metal existe muito isso, o publico metal é de gente que
curte metal e tem banda e isso esta vindo para o hardcore também.
Hoje em dia todo mundo tem banda, acha bonito, a mãe da uma guitarra
de presente..., minha mãe não me deu uma guitarra de presente,
me deu quase uma porrada quando eu comprei a guitarra e falou "vá
trabalhar vagabundo!". Então o punkrock e o hardcore deixaram
de ser uma coisa ruim, perigosa, pra ser uma coisa fofinha, na capa da
capricho, que o filho se orgulha e que as menininhas da escola falam "ai
que bom, você toca em banda punkrock!". Nossa! tocar em banda
punkrock era assinar um termo de que você não vai beijar
mais ninguém, "ah, eu toco numa banda punk rock!", as
meninas já falam pra ele "nossa esse é ôgro!".(risos)
Então mudou muito isso, hoje em dia é bonitinho ter banda.
De
que forma vocês acham que o publico do Cpm, que é um publico
mainstream, pode vir a ajudar o Hateen?
Koala - Ajuda! vai um monte de mulher no show atrás do japonês,
um monte que fica gritando "Japinha!" e faz de
conta que a gente nem existe, elas enxergam atráves da gente.(risos)
Fabrizio - Teve uma menina em Cosmópolis, que quando eu estava
arrumando minhas coisas e ligando meus cabos e ela falou assim, "ô,
você pode ficar um pouco mais pra direita", e eu "Porque?",
"não, pra mim poder ver ele, ó!" e eu olhei pra
trás era ele, ah, meu!
Koala - Sinceramente, pra isso dai eu não ligo muito porque assim,
eu já fui adolescente, então eu sei o que é ser
Adolescente, é sonhar com uma coisa impossível, é
ter um ídolo, meu, elas tem um ídolo, um sonho de menina,
de
Infância assim, se elas querem ver o cara ou ver o show do Hateen,
pra mim tanto faz como deixa de ser, com
tanto que elas saiam de lá com alguma informação
derepente. Tem muita gente que vai pelo motivo de ver o Japinha e pode
sair de lá e falar assim "pô, que legal meu, existem
outras coisas!", porque as vezes a molecada que escuta só
o Cpm, não sabe que existe aqui o ''Undreground Metal bar",
não sabe um monte de lugar diferente, porque não conhece
e vai conhecer indo nos shows do Hateen, ou shows de outras bandas, Dead
Fish, Garage Fuzz...
Mas
você acha que aumenta a vendagem de cds, aumentam os shows...?
Koala - Acho que aumenta um pouco.
Fabrizio - Vendagem de cd acho que não aumenta tanto.
Koala - Show aumenta!
Fabrizio - Show aumenta. Exatamente nesse show de Cosmópolis que
eu disse, tipo, tinha muita gente foi lá por
causa do Japinha do Cpm22.
E
já rolou de alguém colocar no cartaz, "banda do Japinha"
ou algo parecido?
Koala - Já rolou!
Fabrizio - Não em nome, mas foto sim, né.
Koala - Nego sempre quer usar foto no cartaz pra mostrar o Japinha.
Fabrizio - Lá em BH tem uma foto uma foto falando: "Japinha
do Cpm22 e Fabrizio e Koala do StreetBulldogs"
Koala - Sinceramente, isso tanto faz como tanto fez pra gente, é
problema do contratante se ele quer botar uma
foto da gente que tem um cara bonito que vai chamar atenção
e três horrível que vai tirar atenção, então...,
ele
ganha de um lado e perde do outro, não tem o que falar. (risos)
Hoje em dia tem várias bandas como Dead Fish, Emo..., que vieram
do underground assinando com gravadoras.
Gostaria de saber qual a opinião de vocês em relação
a isso e se o Hateen tem alguma pretensão de assinar um
lance maior?
Koala - Eu acho normal, pra quem canta em português numa boa. A
gente como canta em inglês dificilmente vamos receber uma proposta
dessa. Nós somos felizes hoje na Thirteen, que é um selo
underground, dá condições de gravarmos nossos discos
do jeito que queremos, paga nossos discos, não tenho do que reclamar
cantando em inglês. Se eu tivesse cantando em português iria
estar querendo procurar uma coisa maior lógico, mas não
é o caso. Acho que o Dead Fish esta tendo o que ele merecem, durante
anos eles trabalharam por isso, sempre foram a mesma banda, as mesmas
pessoas, com e mesma ideologia, não se venderam e não fizeram
nada do tipo. O Emo, não vou falar nada, não conheço
essa banda, não conheço essas bandas emo novas que até
emo no nome bota, pra mi já cria um bloqueio, já faço
questão de não conhecer. Então..., Sugar Kane, pra
mim Sugar Kane é embalo do Cpm. Cada um tem uma originalidade entendeu,
o Cpm é original no que eles fazem, todo mundo quer jogar pedra,
mas eles são originais no que fazem, depois deles veio um monte
de gente querendo fazer igual mas não consegue, pode xingar que
os caras são ruins, são metidos, são o que for, mas
são únicos naquilo. Legal!, torço por eles, torço
pelo Dead Fish, torço pelo Dance of Days e todas as bandas que
estão surgindo e quero que todo mundo se de bem. Pretensão
de gravadora a gente nunca teve, tanto que cantamos em inglês.
Mas
e se rolasse?
Koala - Se rolasse em inglês!! eu iria falar para o cara "pô
vamos pensar, quem sabe", mas não iria mudar o Hateen pra
português só entrar numa gravadora.
Fabrizio - É o sonho de qualquer um viver só de musica,
cara.
Koala - Eu trabalho dez horas por dia e ele também (Fabrizio),
fora que tocamos em duas bandas, fora termos que
ter namorada, tem que ter vida própria, pagar contas, é
um cú às vezes!!! Eu canso de falar pra ele, "eu não
sei
como que eu estou nessa vida até hoje!" , às vezes
eu pergunto "caralho!da onde eu tiro força?", eu não
durmo,
vou ensaiar de segunda, de terça de madrugada, trabalhar, agüentar
chefe no pé, é um saco! a gente viaja, vai
pra puta que pariu em Porto Alegre em dez horas, volta e vai trabalhar
no dia seguinte. Mas é só fazendo o que
gosta e acredita que você vai agüentar isso, faz dez anos que
eu faço o que gosto e acredito.
Quais
são as funções de vocês fora da banda?
Koala - Eu trabalho numa gravadora de heavy metal, chama Centery Midia,
que lança os disco do Stratovarious, Hallowen, mas eu trabalho
com musica e ele trabalha na mtv.
Em
que parte você trabalha?
Koala - Eu trabalho na parte de supervisão de vendas na América
Latina e Brasil, porque é uma gravadora
multinacional.
Fabrizio - Eu trabalho na mtv, dirijo os programas lá, os shows,
os dvds.
Você
também é DJ, né?
Fabrizio - Eu engano os outros ...(risos)
Koala - É DJ sim, ele curte uma tecnera.
Fabrizio - Eu curto.
Gostaria
de saber a opinião de vocês sobre zines, e-zines...?
Koala - Meu! zine é a melhor coisa do mundo, cansei de colecionar
zines, tenho pilhas até hoje e acompanho muita coisa sobre zines
e e-zines. Tenho pilhas de zines na minha casa impresso a dez anos atrás
e guardo com carinho, é uma coisa que conta a história do
eu vivi até hoje, é uma literatura rápida, vai no
foco do que você gosta, geralmente fala só sobre as bandas
que você esta vendo ali no dia-a-dia, tem uma opinião parecida
com a sua na maioria das vezes, é uma leitura boa pra banheiro
e é uma maravilha. O e-zine é uma coisa mais rápida
hoje em dia, você lê uma coisa e no outro dia já esta
outra lá no mesmo lugar e assim vai, é uma coisa legal,
é uma novela que você vai acompanhando todo dia, é
informação, nós somos viciados em informação,
isso é o que vai definir o poder agora nesta época, então
quanto mais informação você tiver é melhor.
E eu leio tudo o que eu posso na vida, então pra mim é maravilhoso
ter zines e e-zines a todo tempo pra ler.
Fabrizio - Eu também acho. Eu já escrevi em zine, já
participei de várias coisas desse tipo...
Koala - Eu também já fiz resenhas pra zine.
Fabrizio - E acho que é uma puta de meio de informação
legal e faz o que quer. Mas ultimamente eu não tenho mais recebido
nenhum e meio que fuji um pouco dos zines, mas continuo achando bacana,
porque também hoje é meio raro ver um zine impresso. Eu
lembro de ter pegado alguns nos shows que a gente toca por ai, mas a maioria
massacrante são os e-zines.
Koala - Eu vi muitos zines acabarem justamente por isso, custava grana
e a maioria era gratuito e ai o pessoal
acabou desistindo do sonho de fazer um zine.
Deixem
uma mensagem pra quem gosta da banda.
Koala - Pra todo mundo comparecer nos shows quando der, quando a gente
tocar que é pouco!
http://www.hateen.com.br/
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