MUKEKA
DI RATO
Entrevista
feita no primeiro show do Mukeka di Rato em Sorocaba, dia 26/06/05, que
foi surpreendente, há muito tempo não se via na cidade uma
galera tão empolgada.
Por:
Nelson Jr.
e Geise Paula
Comece
falando do começo da banda, primeiros shows e discografia.
Mozine - Como começou, começou com três idiotas, tá
respondido, três idiotas!
Brek - O primeiro show foi abrindo pro Dead Fish sem nome no cartaz e
discografia, Pasqualin, Gaiola, Acabar com Você e o Máquina.
Só lançamos uma demo... Meu tem muita coisa cara, é
sério tem que olhar no site, nem a gente lembra.
Hoje
em dia vocês conseguem viver somente de musica?
Brek - Não, a gente trabalha, todo mundo trabalha, o Mozine é
dono de um selo, o Mauricio esta desempregado mas é bancário,
O Bebe é um advogado falido e eu trabalho com publicidade.
O
que vocês diriam para uma banda que esta começando e visa
isso, sobreviver da banda?
Brek - Se fudeu!! (risos)
Mozine - Boa sorte.
Em
todos esse anos de banda, vocês nunca pensaram em mudar? Ou sempre
quiseram ser assim, combinaram que seria sempre um som tosquera?
Brek - Não, a gente não sabe tocar e então saiu isso,
não é planejado é natural. Não teve uma escola
de tosquera, a gente gostava desse tipo de som e tentou fazer o mais parecido
possível... a gente não sabe tocar!!(risos)
E
as letras? Algumas são mais políticas, outras é são
mais desencanadas...
Brek - Na verdade a gente nunca quiz ser político, a gente fala
o que pensa, se soa político é uma coisa acaso, não
levantamos bandeira de porra nenhuma, não somos punks, a gente
não é nada.
Como
vocês se sentem vendo o Dead Fish que tocou junto com vocês
na mesma cena, estar hoje numa major?
Brek - Eu acho que eles tem mais é que fazer isso mesmo, estão
certos, não vejo problema nenhum. O Dead Fish querendo ou não
estão numa gravadora relativamente grande, só que eles estão
no mesmo esquema, continuam tocando no meio alternativo, não mudou.
Eu não penso nada, eu acho que os caras estão certos e têm
que ganhar dinheiro mesmo.
E
como é a cena em Vitória / ES?
Brek -É uma merda!
E
em relação a quando vocês começaram, é
a mesma coisa hoje? Tem muitas bandas lá hoje em dia?
Brek - Parece que estamos sacaneando, mas não é sacanagem,
a gente nem ta ligado em porra de cena é isso. Havia um movimento
que eram bandas que não tinham um apelo comercial e tocavam e isso
continua, se renova, ainda tem uma molecada tocando. Mas essa coisa de
cena pra gente cara, é teatro! A gente toca por tocar, por que
temos prazer e gosta do que faz.
E
em relação a espaço pra tocar?
Brek -É igual a aqui, em Sorocaba só tem esse lugar pra
tocar, não é?
Tem outros, mas poucos ?
Brek - Pois é, lá é a mesma coisa, não há
muita diferença.
A
banda não tem mesmo nenhum objetivo, fazendo o som que faz, som
e letras cada vez mais agressivas?
Brek - Na verdade se a gente faz uma parada agressiva, a gente nem percebe,
acaba saindo natural, é nosso, é da cabeça mesmo,
vai saindo e a gente vai gravando. Se a gente fizer tipo um reggae, rola
e se isso soa agressivo...a gente não faz um som porque tem que
ser agressivos, a gente faz um som grava e foda-se, se vão gostar
não interessa, interessa se eu vou gostar.
E
as influências do Mukeka di Rato atualmente?
Brek - Musicais? Isso é foda, porque é meio pessoal, os
caras estão ouvindo rocknroll pra caralho tá ligado, Butchers...
Eu ouço heavy metal pra caralho, gosto dos grind, Napalm, ouço
funk do Rio carioca, funk do morro, gosto pra caralho...musicalmente assim
vai grindcore ao reggae,
tudo que é bom.
Tem
alguma banda nacional que te influenciaram?
Brek - De influência, tudo que clássico, Cólera, Ratos,
são bandas que acabaram nos influenciando. Mas bandas novas, relativamente
novas que eu gosto muito é o Discarga, I Shot Cyrus, só
isso, o resto acho muito ruim.
Gostaria
que você falasse sobre a mudança de selo, vocês lançavam
por vocês mesmos e agora pela Urubus Records?
Brek - Na verdade isso ai seria legal o Mozine responder(risos), ele é
o dono da Laja. Mas, meu, o cara não quer lançar(risos).
Ele não quis lançar então achamos outras gravadora
que rolou legal, deu uma estrutura boa.
Mas
então não partiu de um convite da Urubus?
Brek - Não, é assim, a gente lançava pela Laja que
é do Mozine. E tinhamos esse disco pra sair e o Mozine falou "Mano,
não quero mais lançar o Mukeka", por vários
motivos, quando você lança uma banda que é sua cara,
você acaba tendo uma responsabilidade tipo, de produtor, de empresário
que era uma parada que ele não queria mais, eu acho que é
isso, nem sei, estou falando o que eu acho. Ele virou e falou "Mano
não quero mais lançar, vou continuar tocando, mas não
quero mais lançar, porque são várias responsabilidades".
E gravadora não era o problema, a gente procurou algumas e a Urubus
foi a que ofereceu uma estrutura melhor. E o Marcio é nosso amigo
das antigas, ele lança umas bandas..., mas a cabeça dele
é outra pegada, o cara é bom e é gente boa. Velho!
não é porque a gente saiu pela Urubus que vamos gravar um
cd de emo.
Já
vendeu quantas cópias?
Brek - Vai pra três mil agora.
Qual
sua opinião sobre zines e e-zines?
Brek - Legal, mas acho que não tinha mais zine de papel hoje né.
A nossa época é a época do zine de papel, hoje em
dia eu acho que a internet é uma parada legal, é diferente.
Não existe mais a coisa correspondência, é tudo por
e-mail. É legal, mas assim, as bandas mais antigas acabaram perdendo
um pouco... não publico, o publico é uma coisa realmente
homogênea, mutante, mas acaba que bandas novas tiveram uma facilidade
maior graças a internet, antigamente era muito diferente, correspondência,
flyers...
Gostaria
de deixar alguma mensagem ou agradecimento?
Brek - Vai todo mundo se foder!!!
www.mukekadirato.com.br
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