SICK
TERROR
Sick
Terror, sempre foi uma das minhas bandas favoritas. Aproveitei a passagem
da banda norte americana Dog Soldier, aqui em Sorocaba, e fiz a entrewvista
com Fabio do Vale que juntamente com Nenê Altro são um dos
únicos remanecentes da primeira formação do Sick
Terror. Vindos de uma recente e segunda turnê européia ,
Fabio conta um pouco sobre toda a história da banda, a nova formação
e a legião de fãs que a banda vem somando ao redor do mundo.
Nessa entrevista contei com a ajuda, nas perguntas, do nosso colaborador
Malk ,que também é um grande fã da banda.
Por:
Nelson Jr.,
Geise Paula e Malk
Comece
falando sobre a história da banda, primeiros shows, discografia
e o momento atual da banda.
Fábio - Começamos em Julho de 2000, o Nenê me ligou,
na época ele me conheceu através do Ulster e ele estava
voltando com uma banda que seria o Dance of Days, mas as musicas estavam
sendo muito pesadas e ele também tinha acabado de sair do Bastard
and Love. Então ele me chamou, chamou o Pingo e fizemos uma banda
que era metade São Paulo e metade ABC, o que nunca existiu, ou
se tocava com os caras de São Paulo ou do ABC, tudo bem que era
ano 2000, mas rolava isso ainda. Começamos ensaiar no sobrado do
Negative Control na época e em um mês de ensaio nós
entramos no Rocha e gravamos "Peste Católica". Decidimos
lançar o bagulho por cinco conto mesmo, vendeu duas mil cópias
em dois meses e de repente todo mundo falava da gente no Brasil. Em seguida
o compacto foi lançado na Alemanha e começaram a se abrir
às portas pra gente. Os primeiros shows foram em Pinheiros, porra,
rolou show com o Parental Division, Ação Direta, fizemos
uma mini turnê com Gritos de Ódio de Vila Velha, com Negative
Control também, fizemos sul com Ulster que foi do caralho e a partir
dai começamos né meu. No ano seguido rolou Ristetit, rolou
a gravação do "Aborto legal", no outro ano já
falando em europa, gravamos "43 segundos" "Caído
Até o Osso". Fomos pra europa, fizemos vinte e três
shows em trinta dias e foi do caralho e depois disso gravamos agora o
"Eu me vendo por bem menos que você imagina" em 2003,
final de 2003 e começo de 2004, que na europa ele foi dividido
em sete compactos, sendo seis splits e um compacto só nosso. Então
a banda atualmente sou eu o Tyelo, Barata e o Nenê, voltamos da
europa agora, fizemos trinta e cinco shows em quarenta dias, doze paises
e eu acho que a banda esta no seu melhor momento, com certeza somos uma
das bandas mais conhecidas lá fora, tanto Estados Unidos, europa
e Japão. E estamos planejando vôos mais longos, tocar no
Japão e na europa.
Vocês
acabaram de voltar da turnê européia, gostaria que você
falasse como foram os shows e da receptividade das pessoas sendo já
a segunda turnê e se houve alguma diferença da turnê
anterior.
Fábio - Foi bem melhor, fizemos mais shows, os shows estavam bem
mais cheios e com certeza já estávamos bem mais conhecidos.
Já tinha uma galera cantando as musicas?
Fábio - Tinha, porra, a gente trombou malucos na Áustria,
na Bélgica, na Finlândia que cantavam em português
e a gente não é tipo Cólera, que é sing along
pra cantar junto, a gente é barulho, pro cara cantar nosso barulho
rápido é difícil, mas foi legal. E foi bem melhor
que a segunda porque já conhecíamos muito mais gente na
europa, eu fiz várias turnês aqui de banda européia
como Riistetyt, Força Macabra, Cochebomba, Cathode e World Burns
To Death. Então já são pessoas que eu já conheço
e reencontro e elas falam do Sick Terror. Então sem dúvida
mais gente mais shows, não tivemos nenhum show ruim, nada, foi
tudo foda.
Essa
pergunta eu faço para todas as bandas que já foram para
europa. Porque toda banda brasileira quando vai para europa volta maravilhado
de lá?
Fábio - A cena lá é muito mais completa, tem os squats
que são lugares que os punks invadem e que governo libera e eles
fazem shows, a estrutura é grande, a estrutura dos squats tem aparelhagem,
as bandas quando tocam todas tem seu amplificador, isso torna mais fácil,
a remuneração pelos shows é bem melhor do que no
Brasil claro! e lá se toca de segunda a segunda que é o
mais importante, pra fazer turnê você não pode ter
"day off", "day off" é despesa. Então
em quarenta dias que ficamos, fizemos trinta e cinco shows e tivemos cinco
dias off que é pouco, porque a turnê é muito cansativa.
A europa esta muito mais acostumada a ver banda gringa, então já
é uma galera que exige e esta acostumado a ver bandas boas, então
você meio que esta tocando ali direto com bandas boas, bandas rodadas,
nós tocamos com várias bandas boas... Então a europa
é um conjunto todo, não é só um motivo, é
pouca distância, é a organização, os esquema
de squats, tudo isso influi.
No
mais recente álbum "Eu me vendo por bem menos do que você
imagina" eu notei um som mais cru. Gostaria que você mesmo
definisse essa nova fase do Sick Terror.
Fábio - No Sick Terror sempre procuramos manter a principal característica,
bases simples de composição. Às vezes queremos tocar
uma musica influenciada por metal, mas a gente não quer tocar metal,
não queremos tocar um bagulho dedilhado e técnico, porque
ninguém sabe tocar porra nenhuma no Sick Terror. Nós temos
talentos individuais que eu acho que é o Nenê e o Barata
e eu e o Tyello a gente se vira. Então não tem muita técnica,
a gente tira o que a gente pode, mantemos uma estrutura básica
de som que deixa com uma sonoridade cru e meu... botamos velocidade, tanto
grind como hardcore, procuramos soar o mais extremo possível.
Mas eu acho que o nova esta ainda mais crú.
Fábio - É esse lance de base simples que é o cru.
Esse disco é o primeiro disco que eu e o Tyello compomos todo o
instrumental, os outros eram o Nenê, o Marcelo e eu e alguma coisa...então
essa é a principal influência, o Tyello entrou e eu estou
compondo mais e a gente quer sonoridade, queremos soar cru mesmo, queremos
ser o extremo tocando coisas simples.
Queria
que você explicasse para galera o que é o "Ajax Free"?
Fábio - O "Ajax Free" não é um projeto
meu, é de um cara chamado Fabio A., um maluco de São Caetano.
O "Ajax Free" que o Fabio A. faz no computador, é nóise,
faz musica e ele é responsável por várias capas dos
nossos compactos, ele que inclusive fez a capa do "Só me resta
o ódio" nossa discografia cd. Então não sou
eu é um brother meu que só faz coisas loucas, acompanhem
porque o cara é muito talentoso.
Na
musica "A mais nova porcaria" é sobre um produto especifico
ou aborda um contexto geral?
Fábio - É um contexto geral pela nossa cidade, tudo que
lançam é novo, as pessoas consomem e quando passa o ciclo
de novidade vira merda e ninguém mais quer saber, isso é
tanto na sociedade quanto na cena punk.
Em
muitas musicas a igreja e dogmas são criticados. Gostaria de saber
se a banda inteira tem a mesma posição sobre isso?
Fábio - Nós chamamos o Tyello pra tocar na banda e ele tem
a sua individualidade e cada um acredita no que quiser. Eu sou responsável
pelas capas da banda, o Nenê é responsável pelas letras.
Eu e o Nenê somos ateus e repugnamos qualquer tipo de dogma, porque
por mais que a gente rejeite ainda vivemos sobre a maldita influência
da igreja católica e tudo de merda que ela fez na vida a gente
paga por isso, como castidade, prevenção de doenças,
homossexualidade e tudo isso, hoje a gente ainda vive sob a influência
do que a igreja católica pregou por centenas de anos. Então
o Sick Terror, considerando que eu e o Nenê somos integrantes originais
da banda, é uma banda ateísta e vai continuar sendo. Eu
não sei a opinião do Barata e do Tyello abertamente sobre
Deus, mas acredito que a revolta entre eles seja parecida com a nossa,
mas não que necessariamente pra tocar no Sick Terror tenha que
ser ateísta, essas coisas, porque é muito relativo, às
vezes o cara aceita nossas idéias e tem uma opinião diferente.
Tem
alguma letra do Sick Terror que já não tem mais haver com
a linha de pensamento da banda atualmente?
Fábio - Não, de todas as letras que eu me lembro elas se
mantém cada vez mais atuais, principalmente dos primeiros álbuns,
nos primeiros álbuns elas eram diretamente contra igreja e contra
dogmas e a sociedade em geral. O último disco é mais contra
a cena punk mesmo, porque a gente quer bater de frente mesmo, porque estamos
de saco cheio.
No
último disco eu notei uma revolta diferente dos outros álbuns,
um lance meio pessoal contra a cena punk. Seria isso mesmo?
Fábio - É isso ai, eu sou punk, o Nenê é punk,
o Tyello é punk, o Barata é punk e ninguém tem nada
haver com isso, cada um é punk da sua maneira, só que sempre
tem um filho da puta que vai querer te impor regras, que vai querer te
segmentar, te regularizar, te cobrar impostos... e o problema da cena
punk é que ela é feita por seres humanos e ser humano é
um filho da puta. Então é isso, a gente esta cada vez mais
de saco cheio, porque vamos para europa e vê uma cena que nos aceita
bem e aqui vagabundo que toca em banda e que vai tocar o resto da vida
pra quinze amigos da panela, fala mal da gente, até taxado de nazista
o Sick Terror já foi na europa. Então esse é o problema,
estamos realmente contra tudo e contra todos, estamos cagando e andando
e não queremos tocar na ceninha punk sua ou do seu amigo, foda-se.
Somos uma banda que não precisa provar nada pra ninguém
e muito menos para esse bando de pau no cú que é formada
a cena punk.
Mesmo com sonoridades diferentes você acredita que a popularidade
do Dance of Days possa fazer as pessoas chegarem até o Sick Terror?
Fábio - Ajuda. Primeiro ponto é o seguinte, poucos da cena
punk começaram ouvindo punk, muitos começaram ouvindo metal,
outros ouvindo emo, hardcore melódico, esse é primeiro ponto,
não interessa. Segundo ponto, muitos fãns do Dance of Days,
que são muitos porque eles vendem muito, muitos vão ouvir
Sick Terror porque pô "há o Nenê Altro canta e
tal e o Tyelo...", geralmente são pessoas que não tem
preocupação com nada e estão ai só ouvindo
som. Então pra gente é ótimo, porque somos umas das
bandas punk mais conhecidas do Brasil independente do barulho que a gente
toque, muito pelo fato do Dance of Days e vamos continuar usando esse
publico porque não escolhemos publico não tocamos pra quem
quiser ouvir a gente.
Você
acha que pela própria popularidade do Dance of Days acaba atrapalhando
e voces quase não fazerem shows?
Fábio - Atrapalha, mas a intenção do Sick Terror
não é tocar, não queremos tocar muito no Brasil,
a gente quer realmente ser uma banda que toca pouco, porque eu já
estive em bandas que tocaram muito e já vi que superexposição
é uma merda. Então Sick Terror vai tocar de vez em quando
mesmo e vai ser assim "o Sick Terror vai tocar" é essa
a idéia que queremos passar e não "há vamos
tocar mais um show", não que a gente quer ser especial, queremos
que tocar seja algo especial, sair tocando a toda hora perde a graça,
então a gente quer ter aquele sentimento que por exemplo, eu toquei
por muitos anos no Ulster e o Ulster sempre foi uma banda que não
tocou muito, o Ulster tocava a cada dois, três meses, então
eram dois, três meses pensando no show, isso torna a coisa melhor,
faz a gente se sentir mais ansioso por fazer algo melhor. Então
o Sick Terror vai ser isso e quando a gente quiser tocar muito pegamos
o avião e vamos pra europa, para o Japão, Estados Unidos,
qualquer coisa. Aqui no Brasil vão ser poucos shows porque infelizmente
as pessoas dão pouco apoio às bandas locais e coisas do
gênero.
Qual
sua opinião sobre zines impressos e zines in line?
Fábio - Infelizmente a cultura do zine impresso esta cada vez menor
e demonstra certa pobreza cultural da cena se tratando de punks, espero
que isso volte, acho que as pessoas têm que escrever mais, tem tanto
cara que escreve bem e tem muito cara no Brasil com muitas idéias
ai. Os zines eletrônicos eu acompanho poucos, mas são idéias
ótimas, porque a internet está ai pra quem tiver acesso
é legal, mas acho que o zine impresso tem mais coração
porque demora mais pra ser feito e as pessoas deveriam tentar fazer mais.
E ambas as opções são excelentes meio de comunicação
para bandas punks e underground.
Você
sempre tocou, inclusive no Ulster e agora devido a popularidade do Dance
of Days o Sick Terror quase não toca aqui no Brasil. Você
não sente falta de estar tocando junto nessas turnês?
Fábio - Eu sinto, tanto que em toda turnê eu procuro marcar
pelo menos um show com o Sick Terror porque as bandas também pedem,
eles querem ver a gente também, é o que eu sinto, mas por
experiência própria eu já sou um cara mais reservado,
não sou de ir muito em shows, porque, sei lá, estou ficando
velho. Mas o Sick Terror toca na medida do possível e queremos
fazer esses shows especiais. E eu não tenho planos de montar uma
banda no Brasil pra tocar muito aqui mesmo, realmente minha intenção
é fazer um show há cada dois, três meses, acho que
quantidade não significa tudo, eu prefiro qualidade, quero fazer
shows que eu me prepare psicologicamente pra isso e não tocar um
show a cada fim de semana e é só mais um show. E é
só uma maneira da gente pensar, não que eu me ache especial
ou minha banda, nada disso.
Quais
são as expectativas para os próximos anos? Já tem
alguma coisa certa para outros países fora do eixo europa ?
Fábio - Falando em eixo europa, fomos chamados pra tocar em vários
países que não tocamos como Grécia, Turquia, Itália,
Espanha, então ano que vem nós vamos tentar. O Sick Terror
tem muitas propostas de tocar no Japão, porque nosso disco vende
muito bem lá e Estados unidos financeiramente é uma proposta
interessante porque se faz muitos shows e a remuneração
é boa. Mas realmente assim, fizemos uma turnê muito longa
agora e acho que no próximo ano vamos dar uma descansada para no
final de 2005 fazer uma turnê curta na europa nos paises que não
tocamos. Só pra constar estou montando uma banda com três
holandeses, dois caras do Cathode e mais um baterista, o Sick Terror sempre
vai minha principal banda, mas essa banda que estou montando com Marck,
com **** do Cathode e mais um baterista holandês vai ser mais pra
satisfazer minha vontade de excursionar, de tocar em outros paises e eu
devo ir para europa em outubro de 2004 gravar um disco pra excursionar
america e sair pra europa em 2005.
Deixe
um recado pra galera que vai ler a entrevista, agradecimentos...
Fábio - Muito obrigado, amo todos vocês e espero encontra-los
nas próximas quebradas nos shows do Sick Terror. Não usem
muita drogas.
http://www.sickterror.cjb.net
http://www.fotolog.net/sick_terror
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