SOCIEDADE ARMADA

Mesmo com as mudanças de formação, Fernando conta como conseguiu manter o felling e objetivos dessa banda que é um símbolo e uma das melhores do hardcore brasileiro

Por: Nelson Jr. e Geise Paula

Comece falando sobre a história da banda, primeiros shows, discografia e dias atuais.
Fernando - Em 94 encontrei Zé Flavio na praia, nós conversamos, ele estava sem banda voltando de Brasília, eu estava sem banda e ai ele falou eu vou arrumar um baterista e você arruma um baixista. Ele correu atrás do Fio que ele já conhecia do Explicit Repution e eu fui atrás do Medina que tocava guitarra na minha outra banda, então ele começou a tocar baixo, começamos a fazer um monte de shows ali pela cidade e tudo, nada de mais. Fizemos contato com a Gogumelo, que gravou o primeiro disco em 95, "400% Harcore".

Então vocês nem chegaram a gravar uma demo?
Fernando - Na verdade mandamos quatro musicas pra Gogumelo, só pra eles verem se estava tudo certo. Então eles gostaram e gravamos esse disco em 95. Teve uma boa repercussão aqui, mais no estado de São Paulo e depois de uns dois anos trabalhando nesse disco a banda deu o primeiro breck. O Fio baterista saiu, ficamos um tempo parado até encontrar outro e quando encontramos o Fred e voltamos a tocar depois de quase dois anos parado. Voltamos a tocar e depois de quatro meses a gente já estava com repertório pra gravar o segundo disco. Então em 95 virou o primeiro, tocamos até 97 e em 99 voltamos pra gravar o "Tocar e Protestar". A formação era eu, o Zé Flavio, o Medina e o Fred. Depois da gravação desse disco, trabalhamos também um ano, um ano e pouco e a banda deu um breck de novo. O Zé Flavio estava com alguns problemas pessoais e muitos compromissos e acabou saindo da banda. Então eu chamei o Rogério que tocava também junto comigo e o Medina numa outra banda. Demorou uns seis, sete meses pra ele começar a pensar como Sociedade Armada, porque a banda que a gente tinha antes era um pouco diferente. Ai ele começou a compor e nesse intervalo o Fred também teve alguns problemas pessoais e acabou saindo da banda. E nós recrutamos o Marcão. Fizemos um repertório pra tentar começar a conversar com a João, porque nossa maior dificuldade era a seguinte, a Gogumelo grava tudo que o Zé Flavio faz, porque o cara é bom mesmo. Então nós estávamos num dilema, será que a gente vai gravar, será que não vai. Então eu, o Medina, o Rogério e o Marcão, compomos seis musicas e mandamos pra lá, ele viu que estava tudo no mesmo esquema, tudo direitinho e marcamos a gravação pro começo de 2004, do terceiro LP que é o "Ordem e Progresso". Acabamos de gravar em março, lá em Santos no Playrec studio e logo depois da gravação teve algumas desavenças com o baixista, o Medina e ele acabou se desligando da banda. Nós chamamos o Rodrigo pra tocar, ele tinha uma outra banda lá no Guarujá e acabamos conversando com ele. Ele veio fazer teste com a gente, se interessou, gostou e nós achamos que ele tocava direitinho. E ai foi quando a banda começou a viajar mesmo, antes disso fazíamos vários shows, já tínhamos ido a Belo Horizonte, alguns lugares do interior de São Paulo , Santos, sempre nesse eixo e agora depois desse ano, conseguimos ir para o nordeste, fizemos Curitiba pela primeira vez que nunca tínhamos ido, estamos com um monte de compromissos pra marcar direitinho e estamos tocando, acho que a história da banda é isso.
Rodrigo - Tocando e Protestando!
Fernando - É estamos tocando e protestando.

Pelo que eu tenho reparado a Gogumelo embora seja um selo de médio porte, trabalha mais com as bandas de metal que ela tem no seu cast e não faz uma divulgação muito forte no meio independente, não manda material para os e-zines, revistas. Sempre achei que isso acaba prejudicando o Sociedade Armada que não se vê muito na internet. Você tem planos pra fazer um novo tipo de divulgação para esse novo cd?
Fernando - Bom, a Gogumelo é um selo de médio porte, tem muitos lançamentos, é uma gravadora que já esta ai há mais de quinze, dezoito anos, sei lá, mas já tem muito tempo e tem muitos lançamentos de bandas que depois começaram a estourar, caso do Ratos de Porão, Sepultura, Pato Fú e várias bandas de metal. O hardcore nunca foi o forte da Gogumelo, mas ela costuma apoiar, tem alguns poucos lançamentos e a divulgação deles para o meio independente, para o underground é um pouco complicada, mas você encontra o cd no Brasil inteiro. A gente foi pro nordeste tocar, todo mundo tinha o "400% hardcore", o "Tocar e Protestar", então você vê que cd chega, era distribuído pela Velas e agora tem várias distribuidoras trabalhando pra Gogumelo. Então é uma gravadora de porte médio pra grande que tem divulgação. Aqui no nosso meio underground ele não aparece e quanto a nossa divulgação, já conversamos com eles, mandamos o cd pra alguns zines eletrônicos de internet, estamos mandando também pra algumas revistas só pra resenha especializadas como Rock Brigade, Metal Head e esse tipo de coisa. E o cd saiu só há três meses, então quer dizer, nós ainda estamos mandando o cd pros lugares, para que entre janeiro e fevereiro estarem todas as resenhas já feitas, porque é um absurdo a quantidade de lançamentos que você tem agora atualmente de banda independentes. Então, meu, toda cidade tem selo, toda cidade tem pelo menos dois ou três lançamentos por ano e pelo tamanho do nosso território e a quantidade de banda que tem, a gente até aceita estar mandando cd numa época e sair a resenha dois, três meses depois, por causa dessa demanda muito grande de material, você deve saber disso.

É eu sei...
Fernando - Só que esse ai você vai escutar amanhã já! (risos)

Quais as atividades que o pessoal do Sociedade Armada exerce fora a banda?
Fernando - O Marcão é pai de família e não faz nada e é funcionário publico também, ele trabalha na estiva também, quer dizer, é estivador, não faz nada porque é funcionário publico e pai de família. O Rogério guitarrista é o João Alves da banda, ele é taxista, ele tem um táxi ai e trabalha com isso. O Rodrigo ta rindo mas não faz porcaria nenhuma da vida, tá fazendo um estágio ai de publicidade e jornalismo e esta se formando. Eu sou biólogo formado e exerço a profissão já há oito anos.
Rodrigo - Ele é homossexual (risos)
Fernando - Isso ai eu não sou, apesar de não ter nada contra.

Quais eram as influências da banda quando começou e quais são na atualidade? Quais bandas nacionais da atualidade vocês gostam?
Fernando - Bom na verdade esta um pouco diferente, da formação da banda só tem eu da original e quando começamos a tocar era mais esse esquema de Capital Punishiment, Seven Seconds, Bad Brains, Agnostic Front, Ratos de Porão que a gente escutava bastante, tudo assim mais old school, agora esta me falhando os nomes... Ai depois conforme foi trocando, a galera que foi entrando já era uma galera da nova geração, comparando a formação da banda entre a primeira e a atual, tem pelo menos uns oito, dez anos de defasagem de som. Então a gente vai catequizando a galera, entregando as essas coisas antiga assim, Corrosion Comformit, Napalm Death, Acused, mas a galera escuta o que toca agora como Rage against machine que é uma puta banda e eu também escuto bastante, a primeira fase do Bad Religion, Pennywise, sei lá tem tanta banda ai que não da pra falar muito. E de banda nacional o que a gente escuta bastante é Ratos de Porão, Ação Direta, Garage Fuzz, eu escuto Nitrominds, Calibre doze, Devotos...e por ai vai.

Eu só não sei o Devotos, mas o resto todas tem mais de dez anos.
Fernando - Devotos também tem.

Você não citou nenhuma banda nova.
Fernando - Ha, banda nova nacional eu não... é tanta coisa igual a o que já foi feito que as vezes eu nem, sei lá, até um pouco de deixar de lado, mas eu prefiro continuar escutar as bandas antigas ou bandas dos camaradas, porque não da pra tu conhecer tudo e correr atrás tendo outras atividades. Por exemplo, eu tenho vários amigos que só vivem do rock, tem selo, distribuidora e tal, ai a galera consegue estar bem atualizada, eu devido as minhas atividades fora do cenário assim mais alternativo não tenho tanto tempo pra isso.

Como você esta falando dos selos, atualmente varias bandas tem tocado hardcore para públicos cada vez maiores. E o maior exemplo disso é Dead Fish, que está popularizando o hardcore pra massa, você acha isso positivo? Você acredita que esse pessoal vai acabar conhecendo o Sociedade Armada por intermédio dessas bandas?
Fernando - Há meu, veja bem, quanto a esse esquema e as bandas que você citou Cpm e Dead Fish, eu fiquei sabendo, o Cpm eu não conheço tanto, mas conheço pessoal que conhecem os caras há muito tempo e o Dead Fish, o que eu vejo é o seguinte, eu fiquei sabendo e inclusive já fui, os caras já tocaram pra dez quinze pessoas como toda e qualquer banda. Os caras começaram a tocar, tocar, correram atrás da bola pra caramba, tiveram algumas ajudas e meu, o que eles estam fazendo de diferente hoje do que o que eles faziam antes, estam produzindo melhores cds, estam com uma distribuição maior, na real é isso, porque eu não vi os caras chegarem a estar tocando... não vi o começo deles ser Napalm Death e acabar no ilariê da xuxa. Pra mim o estilo de som deles... conforme você vai tocando sempre, você vai aprender, você vai aprimorando e você quer mostrar outras coisas, você vai refinando o seu som independente do que você toca. Se você pega um Agnostic Front do começo e agora a essência é a mesma, mas você a produção dos caras, você vê como os caras tocam hoje, tocam bem melhor que antes, não comparando, mas você pode ver pelo Ratos de Porão, eles lançaram "Crucificados pelo sistema" há muito tempo e agora saiu "Sistemados pelo Crucifa", quer dizer, o que acontece é o seguintes as bandas vão tocando e tocando, vão evoluindo e vão se produzindo, conforme você vai entrando na mídia você vai se produzindo melhor.

Mas eu falo da popularização das bandas, se você acha que vai ajudar a cena e até sua própria banda.
Fernando - Se eu chegar e for convidado pra fazer um show pra duas, três mil pessoas e eu consiga a passar minha mensagem, meu, se eu estiver atingindo um numero maior de pessoas, se eu estiver sendo coerente e as pessoas e estiverem também tendo coerência pra interpretar o que eu estou falando na maneira correta sem ninguém chegar e vir a desvirtuar o que eu estou falando não vejo problema nenhum.
Mas essas bandas estão ajudando a popularizar o hardcore...
Fernando - Legal meu, quanto mais gente no movimento melhor.

Mas você acha que essa galera vai chegar a...
Fernando - Ai é que tá, é como em qualquer setor de qualquer parte do que você faça, tem as pessoas que têm sangue no zóio pra fazer as coisas e tem as pessoas que vão no embalo, não é só no hardcore não, em qualquer situação, em qualquer parte da sua vida você vai encontrar o cara que começa a trabalhar, sei lá, vai montar um negócio e ai quebra a cabeça e tal, quer dizer a galera tenta vai atrás e chega uma hora que vê se funciona pra ele ou não. Acho que quem é forte e quem gosta fica. Agora a popularização meu, é legal, quanto mais pessoas souberem o que acontece, o que fala e derepente são pessoas a mais que a gente consegue mudar o pensamento, eu acho que isso vale a pena.

Essa coisa do pensamento é interessante falar. O Sociedade Armada sempre teve letras que não são fora do contexto punk, mas também não segue a linha das bandas punk. Por exemplo, as vezes fala algumas coisas a respeito do otimismo nacional, mas ao mesmo tempo não fazem letras anarquistas totalmente contra o governo. Gostaria que você falasse sobre isso, porque você que é o compositor, né?
Fernando - Eu, o Zé Flavio também tinha uma grande participação, nesse ultimo disco a maioria foi eu, só que é o seguinte a gente sempre joga um tema na roda e todo mundo discuti pra fazer a letra.

Gostaria de saber sua opinião sobre o movimento punk. Embora vocês estejam envolvidos, gostaria se saber qual é o pensamento de vocês, ou somente o seu.
Fernando - Bom, é o seguinte, nós somos apartidarios, não levantamos nenhuma bandeira, não seguimos ninguém, não somos nenhum tipo de "istas", não menosprezando ninguém, mas tipo, capitalista, comunista, anarquista, nós não seguimos nenhuma dessas linhas de pensamento, a gente faz hardcore. Acho que tudo que você faz na vida tem dois lados, o lado positivo e o negativo, a gente tenta assimilar o que é positivo e passar adiante isso, que a gente acha que esta certo e que é legal e o que é errado e negativo tentamos falar mal, ou então não queremos pra nós. Então nossa postura é mais essa dentro do hardcore, nós não temos essa postura de uma ideologia assim mais a fundo, como os anarquistas, ou o pessoal que é straighedge e tal. Nós conhecemos todo mundo, fala com todo mundo, tocamos com todo mundo, só que a gente faz hardcore e falamos o que achamos o que é certo, por isso que estamos aberto a qualquer tipo de discussão, quem discordar meu, vem conversar com a gente. E tudo tem um lado positivo, qualquer religião, qualquer partido político, tem seu lado positivo e tem seu lado negativo.

Você vota?
Fernando - Eu voto nulo ainda.

Você falou sobre tocar com todo mundo, o Sociedade Armada não tem nenhuma restrição pra show, toca com qualquer tipo de banda, independente dos integrantes? Por exemplo vocês tocaram num festival chamado Dezembro Negro, no qual tocaram algumas bandas com integrantes skinheads.
Fernando - O lance é o seguinte a gente tem nossa cabeça certa, no lugar e sabemos chegar e sair de qualquer lugar. A gente tocou no Dezembro negro com Grinders, com Ação Direta, com Inocentes e mais com um monte de banda que não tem nada haver com careca do subúrbio. O Dezembro negro era um festival que já não tinha há muito tempo e a intenção do pessoal que estava tocando era mais promover algum evento, tanto que deve esse de 2002 e não teve mais nenhum. E como tinha algumas pessoas no meio que eram carecas, skinheads..., não skinhead não tinha era mais careca, então deu uma misturada. Mas hoje aqui mesmo só show de hardcore eu já vi uma briga e no Dezembro negro não teve nenhuma briga, ninguém desrespeitou ninguém. E eu acho que todo mundo tem que chegar e respeitar a opinião dos outros, apesar de você não querer pra você, eu também não quero ficar me envolvendo em nenhuma confusão, quero chegar em casa e poder encostar a cabeça sossegado no travesseiro e falar "estou fazendo o melhor de mim pra e para os outros". Agora o que os outros fazem meu, eu não vou chegar e arrumar uma briga e vou matar alguém por causa disso, acho que tem a justiça ai que faz essa parte.

Com dez anos de banda, qual é a principal motivação de vocês pra estar tocando até hoje, mesmo com todas as mudanças e pedradas que tomaram?
Fernando - A minha pelo menos é a seguinte, eu comecei a escutar um som, a galerinha era eu, Fabricio e Farofa que agora esta no Garage Fuzz, o Boca do Ratos, todo mundo tinha treze, quatorze anos de idade e todo mundo andava junto. E começamos se envolver primeiro com heavy metal, depois começamos a escutar hardcore, punkrock e... pô nos identificamos. Então eu acho que o hardcore, isso é uma verdade, esta dentro de cada um, você fala o que acha que deve falar e a gente não esta pregando nada, a motivação é que fazer musica tocar, conhecer gente, viajar, conhecer lugares, acho que é essa a motivação. Nós não estamos pedindo nada pra ninguém, não esta traindo ninguém, então a motivação é simplesmente tocar, conhecer o pessoal e fazer o que a gente gosta. É isso, nossa ideologia é hardcore, falar o que a gente acha, o que a gente sente e pronto meu, quem não concordar conversa com a gente sem problema nenhum, só não venha com ignorância, porque a gente ignora também, não tenho o porquê, ninguém paga as minhas contas, não vou escutar besteira de ninguém também.
Lá em Santos tem várias bandas com vários músicos que acompanham muito a gente, tem uma galera que toca guitarra, bateria, baixo, acho que pô os caras acompanham músicos profissionais, tipo Jorge Benjor e um monte de músicos que tocam por ai e você vê que esse caras se interessam pela musica. E tem uma boa parcela dessa galera que cresceu, apesar de escutarem hardrock, heavymetal, algumas coisas assim, ou até outros estilos mais populares de musicas, os caras crescerem com a gente meu e porra estam montando banda ai e todo mundo escuta hardcore atualmente. Eu acho que esse esquema de Cpm e Dead Fish fez com abrisse as portas pra galera chegar e ir buscar outras coisas, então sei lá, a galera começa a escutar e acaba indo... tem uma banda chamada Drive5 em Santos, uma banda de rock assim tipo, os caras são músicos, os caras são bons pra caramba, mas é uma banda de rock, pop e meu os caras escutam, vão ver o show do Sociedade Armada, Garage Fuzz, Ratos de Porão e os caras tocam rock pop.

Você consegue definir o perfil do publico do Sociedade Armada?
Fernando - Putz, eu vou te falar a real que a gente não tem um publico definido, cada lugar que a gente vai é uma galera totalmente diferente. Lá em Santos, onde a gente mora, não tem tanto punk, lá tem muita galera que escuta hardcore, mas punk punk mesmo que chegou a ir pra pegar vários shows, correr de careca, correr skin das antigas, vê show em um monte de buraco, não rola, então lá em Santos a gente toca pra galera que escuta hardcore, pra galera que surfa, que acaba escutando porque ouviu uma ou outra pessoa falar e ai vê um vídeo de skate, um vídeo de surf que tem uma banda um pouquinho mais barulhenta e vem outro que convida pra ir na casa e acaba mostrando os cds. E mais no interior tem uns punks, é geral, não consigo rotular e nem traçar o perfil desse pessoal.

É uma galera mais nova pelo que você esta falando.
Fernando - Então eu tenho notado que nos nossos shows tem um pessoal já na faxa dos trinta anos que é a galera que já acompanha há mais tempo esse movimento old school, a galera que escutava um som há muito tempo atrás e tipo continuam escutando, eles saem um pouquinho desse esquema de freqüentar shows e comprar muitos cds porque a vida vai mudando e as necessidades vão se tornando outras assim, é gente que deixa um pouquinho de lado mas acaba comparecendo também, tem muita gente na casa dos trinta ai que já virou a esquina que esta escutando ainda, não só Sociedade, mas muita banda antiga.

Gostaria que você fizesse um resumo dos três cds, porque cada um é diferente do outro, pelo menos é o que eu vi no show, especialmente do ultimo.
Fernando - Primeiro "400% hardcore" foi gravado em um dia e meio, som reto curto, bem objetivo, musicas bem curtinhas com vinte e nove musicas. Segundo cd "Tocar e Protestar" gravamos em dois dias e meio já, tivemos muito mais tempo pra gravar, são vinte três musicas, um pouco mais pesadas, um pouquinho mais trabalhadas, com umas elaborações a mais de guitarra, tipo alguns detalhes e tal, mas eu acho que no mesmo contexto, sendo as musicas mais compridas e o mesmo contexto. E o novo o "Ordem e Progresso", eu acho que é a melhor gravação que fizemos, demoramos mais tempo pra gravar, mixamos e masterizamos do jeito que a gente queria e eu vejo ele como uma seqüência de "Tocar e Protestar" um pouco mais produzido por nós mesmos, depois de quatro anos você começa a entender um pouquinho mais de gravação e quer produzir um pouquinho melhor, mas a essência do "Ordem e Progresso" esta mais pra "Tocar e Protestar" mesmo.

Qual sua opinião sobre os zines, impresso ou eletrônicos?
Fernando - Eu acho que é um alicerce pro movimento hardcore, punk, tanto os de papel quanto os de internet, você chama de e-zine né? é que eu sou meio atrasado nessa mundo da computação, eletronic zine isso. Eu acho que o eletronic zine vai acabar com o zine de papel e isso é até bom por causa de reciclagem, a gente acaba destruindo menos arvores, quanto menos papel a gente utilizar fica melhor, apesar que a gente acaba gastando mais energia também. Eu gosto pra caramba e tenho muitos, mas eu acho que a quantidade de informação gerada atualmente, o que você faz no papel, pra você digitar ou datilografar, imprimir, fazer uma arte final e tudo, no computador isso é muito mais fácil. Eu recebo ainda alguns zines de papel e leio todos do mesmo jeito que eu vou nos e-zines por ai, agora, eu me sinto mais a vontade com papel na mão, não sei se é por ter bastante tempo disso, mas o computador também cansa a vista.

Deixe uma mensagem, fale alguma coisa pra finalizar.
Fernando - Espero que de tudo certo ai pra vocês e que tenham gostado, sempre que precisar do Sociedade Armada e quiserem fazer contato conosco, você vai estar colocando nosso serviço ai. E pô quer conversar, quer discutir, não gostou de alguma coisa, escreve pra gente, liga pra gente, procura a gente ai, o que pudermos ajudar estamos a disposição. E viva o rock!

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