STREET BULLDOGS

O vocalista Leo fala um pouco sobre os 10 anos de banda, a nova formação e sobre as polemicas envolvendo seu nome. Com vocês uma das maiores bandas do hardcore nacional Street Bulldogs.

Por: Nelson Jr. e Geise Paula

Comece falando um pouco da história do Street Bulldogs, primeiros shows, discografia ...
Leo - O Street existe desde de 94, mas a banda mesmo, formação e as musicas, tinham desde 91. Só que o nome ficou desde 94, tanto que fizemos dez anos agora em Fevereiro. Os primeiros shows nessa época era a coisa mais difícil do mundo, não era um terço do que é hoje, a gente não tinha acesso a nada, tinha que carregar os instrumentos para tocar e era do interior também, éramos de Pindamonhangaba e tinhamos que levar as coisas em cima de um skate, de uma bicicleta, empurrando..., era difícil. Os shows que tinham, eram o que a gente fazia só para os amigos, umas cinqüenta pessoas. E era assim, então começamos a levar a sério, a fazer o que a gente faz até hoje e foi tomando uma proporção maior.

Qual era o nome da banda antes de se chamar Street Bulldogs?
Leo - Antes de ser Street Bulldogs, era Sub Mundo, em 89,90.

As letras eram em português?
Leo - Não, a gente sempre misturou. Esse negocio de português apareceu agora, porque o Cpm estourou, então todo mundo acha que cantando em português vai ficar famoso. Nós mantemos nossa dignidade e nosso princípio, começamos cantando em inglês e vamos acabar cantando em inglês. A gente não acredita nessa história e não queremos também esse negocio de ficar famoso pela mídia só porque cantamos em português, Foda-se! eu gosto de cantar o que eu gosto de ouvir.

E a discografia?
Leo - Cara, a gente lançou um disco em vinil, um Ep, em 95, depois teve duas coletâneas em 96, 97. Aí, teve o primeiro disco que não tem nome, era intitulado "Street Bulldogs" mesmo, em 98. Surgiu o split com "Turn in Down" em 99, em 2000 teve o "Question Your Thru", que foi outro disco só nosso e um split com Dominatrix. Depois 2002 teve o ao vivo e 2003 foi o "Lucky Days".

Por Quanto tempo vocês ficaram parados?
Leo - Dois anos, mas não ficamos parados de vez, a gente ensaiava mas não tocava.

Vocês já passaram por muitas formações, existe algum motivo para saída dos ex-integrantes?Voces acham que essas mudanças acabam prejudicando a banda?
Leo - Eu nunca toquei com uma formação melhor do que a que estou agora, pra mim é a melhor formação que o Street já teve nesses dez anos de banda. Claro que mudar toda hora prejudica, porque você acostuma com um, acostuma com outro e acaba que diferência, mas acaba diferenciando pra melhor, porque se o cara saiu é porque algum problema teve. Então a gente foi arrumando a formação que pra gente hoje é prefeita em todos os sentidos, principalmente musicalmente, não que as outras não tenham sido boas, mas essa foi a que mais casou.

Você acha que não vai mudar mais?
Leo - Eu espero que não, mas se tiver que mudar a gente vai continuar.

Todas as letras que você já escreveu ainda têm o mesmo sentido pra você? Já se arrependeu ou mudou de opnião sobre alguma delas?
Leo - Na verdade de opinião a gente sempre muda, mas acontece que o que a gente escreve é o que estamos passando no momento, então foram fases, o que eu passei em certos momentos da minha vida e fiz uma letra, eu não vou me arrepender dela no futuro porque eu passei por aquilo, entendeu, eu não conto nas minhas letras uma historia de amor, de ilusão, de ficar falando merda de fotolog, de encontrar menininhos e menininhas, de ficar chorando no meu quarto porque eu tô com saudade da minha namorada, eu nunca falei isso nas minhas letras. As nossas letras são os momentos que a gente passa, se estamos num momento difícil, fazemos uma letra falando disso, se estamos mais alegres, a musica sai mais alegre e a letra sai mais alegre. Então eu nunca me arrependi porque foram momentos que eu passei e não da para se arrepender dos momentos que você passou. Se eu tivesse forçado uma situação pra conquistar um publico, se eu tivesse feito uma merda de uma letrinha emo pra poder conquistar o publico, eu poderia me arrepender hoje, porque eu odeio esse tipo de coisa. Mas como eu faço musica de dentro mesmo, eu sinto o que estou falando e falo sobre o que eu passo no meu dia a dia, as letras vão saindo assim, então eu não me arrependo não. Se antigamente eu falei de alguma pessoa que eu gostava e hoje eu não gosto mais, antigamente eu gostei, entendeu, a letra vai continuar, pode não ter mais significado nenhum pra mim, mas a musica é a mesma.

Cada albúm que o Street Bulldogs lança é um completamente diferente do outro. Gostaria que voce falasse sobre isso?
Leo - É por causa da formações né cara, então você vai pegando a energia e o estilo de cada um e vai ficando diferente, só que a proposta sempre foi a mesma, o Street é uma banda de hardcore, cantado em inglês com letras agressivas, sempre foi. Então se em um trabalho de guitarra a mais num disco, ou um baixo mais trabalhado no outro, ou um vocal mais ou menos melódico no outro, isso dai é a evolução natural de uma banda, agora a idéia e o princípio continuam sendo o mesmo.

Depois de tantas mudanças nesses dez anos de banda, qual o principal fator para não desanimar?
Leo - É saber que faço um negocio honesto desde de quando eu comecei, que eu faço um som que eu gosto de ouvir, que faço um som que gosto de tocar e ter o publico que tenho hoje. E não precisar ter apelado nunca, eu nunca precisei fazer uma letra em português falando de uma certa coisa, porque é muito fácil você fazer uma letra falando do que a pessoa quer ouvir, o que é difícil é você falar sobre o que você sente, o que você pensa e a pessoa gostar. Agora falar do que as pessoas querem ouvir é fácil. É isso que me da orgulho de continuar, o publico gostar da gente e a gente ter sido os mesmos desde aquela época até hoje, dez anos.

O publico não é o principal fator para a banda não ter acabado?
Leo - Não, a banda não ia ter acabado de jeito nenhum, porque se tivesse mil pessoas gostando da gente ou dez, primeiro a gente faz isso porque gostamos e por segundo pra agradar os outros, entendeu, primeiro é por que a gente gosta de tocar. E se não tivéssemos convites de shows e se ninguém gostasse da gente, iríamos continuar tocando e ensaiando, ia tocar pra dez pessoas, porque vivemos isso, adoramos fazer isso ai, então não é por causa do publico. Se fosse por causa do publico, tem lugares que a gente vai tocar que tem vinte pessoas e tem lugares que tem duas mil, então não tem sentido.

De quando voces começaram até hoje, mudou muita coisa? Os locais de shows, o tipo de shows que voces fazem..., por exemplo as verduradas.
Leo - Hoje em dia esta mais fácil tocar cara, antigamente era mais difícil, os lugares vão evoluindo, o publico vai aumentando e a necessidade do cara melhorar também vai aumentando, porque se vai mais gente ele tem que dar uma estrutura maior. Então vai aparecendo muitos lugares de show se você vai vendo, tem uns que são meio precários, mas com o tempo vão evoluindo, melhorando até virar um lugar tradicional de shows

E as verduradas, vocês não tocam mais?
Leo - As verduradas? Rola, é que não temos tempo para tocar, os caras têm um cronograma de show que não bate com nossos dias, por isso que não tocamos mais, entendeu, não é por nada, a gente tem um cronograma e eles tem outro. Então quando eles vão chamar a gente pra tocar, geralmente tem coisa marcada e a gente toca o ano inteiro cara.

Já rolou algum mau entendido com o publico por causa de alguma letra que voce escreveu?
Leo - Você esta falando de "Sheep And Sheperds", que fala sobre religião. O livro que eu falei na musica é a bíblia, eu não sigo a bíblia. O pessoal que acredita discutiu com a gente e nós estamos pouco se fodendo cara. Ao mesmo tempo que alguns acham que são donos da verdade mostrando que Deus esta acima de tudo, pra mim pelo menos não esta acima de tudo, eu nem sei se eu acredito, é diferente a concepção que eu tenho de Deus com a desse povo, eu não sigo bíblia, bíblia pra mim não serve pra nada, nada mais que um livro de história. Então eu falei isso como um guru, como um líder, agora como um livro de história beleza. Não teve choque, não teve problema nenhum, alguns expressaram a opinião, "há, não gostei da letra, porque você falou mal de Deus", mas a gente não fala mal de Deus, falamos mal de hipócritas, não de Deus. Tem gente que usa o nome de Deus pra falar um monte de merda, como o padre, pastor, essas coisas que pra mim não passa de uma grande palhaçada.

E sobre as polemicas geradas sobre um certo envolvimento seu com skinheads?
Leo - Sempre falaram que eu sou skinhead só porque eu gosto de som oi, o som não tem nada ha ver com nazismo, muito pelo contrário, skinhead é um negocio que não tem nada ha ver com nazismo, então o pessoal confunde muito, existe skinhead nazista e que não é nazista. Eu curto som oi como muita gente gosta, só que tem pessoas que tem medo de assumir.

Então voce não tem nenhuma ligação com skinheads?
Leo - Não, não tenho.

Você esta envolvido com straight edge ainda?
Leo - Eu não estou envolvido com straightedge como grupo, mas o straighedge faz parte da minha vida porque eu não bebo, não fumo e não uso drogas, então eu não vou levantar a bandeira de um grupo que eu não faço parte, como skinhead, é a mesma coisa, só que eu gosto do som, eu curto oi, punkrock, hardcore... Eu não gosto de banda nazi, que não tem nada ha ver comigo, acho que é ridículo como acho que todo mundo acha e é uma idéia medíocre. E o som straightedge também, eles são tão nazi quanto, porque os caras falam "se você come carne ou se você bebê, você é um bosta", pra mim é a mesma merda que um nazista.

Você sabe dizer quantos discos o Street Bulldogs já vendeu até hoje?
Leo - Eu não tenho muita noção não, mas juntando todos os discos teve ter sido umas
quinze mil cópias, sei lá, juntando tudo. Eu poderia mentir pra você e você acreditar, "eu fiz uma prenssagem de dez mil cópias e estourei", é mentira cara. Uma banda independente não vende dez mil cópias em um ano nem fodendo cara. Se uma banda independente vender dez mil cópias em um ano, essa banda vai para uma major no ato. Se o "Oto" não vende isso, uma banda de hardcore também não . Uma banda vende em média três, quatro, cinco mil cópias e é isso cara, porque não tem mais que isso de gente que curte, o publico é pequeno ainda.

Vocês gravaram um clip pela Highlight?
Leo - A gente não gravou nenhum clip pela highlight, não temos nada da highlight, a única coisa deles com a gente foi uma primeira prensagem do "Quention Your Thrut", não temos envolvimento nenhum com a eles. Aquele clip da luta livre, nós que fizemos, a highlight não tem envolvimento nenhum, não temos nada com eles, nada, só distância cara.

Existe a possibilidade do Street Bulldogs assinar com uma grande gravadora ou um selo de distribuição maior?
Leo - Claro que existe, só estamos esperando uma proposta legal, só que eu não vou mudar o meu som por causa disso. Se alguém quiser divulgar a gente do jeito que a gente é, podemos fazer negocio, mas se pedirem pra mudar uma virgula, eu não vou mudar, prefiro ficar do jeito que esta.

Nem se fosse uma Sony Music?
Leo - Da onde for cara, se uma gravadora chegar e dizer que temos que mudar o som, vamos mandar tomar no cú, nós não vamos mudar o som nunca, a gente quer fazer o que a gente gosta. Se alguém tiver interesse em divulgar a gente do jeito que a gente é, aí beleza.

Qual é a opinião de vocês sobre zines ou e-zines?
Leo - Acho do caralho, super válido cara, é um meio de comunicação foda, que chega até as pessoas menos informadas e é um tipo de mídia independente que ajuda pra caralho a cena em todos os sentidos, você conhece banda, conhece a galera, conhece o movimento, você conhece tudo através de zines... sei lá, site , independente...

Deixe uma mensagem pra galera que vai ler a entrevista.
Leo - A mensagem é só para o pessoal que tem uma imagem da gente e que não conhece, como você citou o skinhead, para o pessoal começar se informar mais do que esta falando, ninguém da banda é skinhead, ninguém tem envolvimento nenhum com o movimento, nem com straightedge, nem com punk, nem porra nenhuma, não levantamos bandeira de nada, tocamos hardcore, rock, quem quiser gostar gosta, a gente fala de coisas que acontecem nas nossas vidas. E se eu tenho uma particularidade de gostar do som oi, e de ser straightedge, isso é uma coisa minha que não influência em relação a ninguém, eu gosto do som. Eu não bebo, não fumo, mas eu não coloco isso a frente do que a banda é e de quem eu sou, eu sou eu, Leo, só isso, só vão me conhecer como Leo, não como o straightedge, ou skinhead que eu não sou deixo bem claro. Quero esclarecer essa duvida pra todo mundo, muita gente tem duvida sobre isso, o pessoal tem que começar estudar um pouco mais pra poder falar da vida dos outros. Para falar do seu inimigo, você tem que conhecer ele melhor.

Agradecimentos...
Leo - Obrigado á vocês por terem feito isso aí pra gente.

http://www.streetbulldogs.com/

 
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