"Diferença 

Me Há pessoas que buscam toda vida estarem dentro de um grupo de afinidades: econômicas, culturais, filosóficas, regionais, "raciais", sociais, enfim algo que una "aos seus iguais". Muitas vezes para realizarem isto passam por cima de seus sonhos, desejos e características pessoais para se compor um grupo que lhe dê uma sensação de segurança, de poder. A partir disto podemos deduzir que as pessoas criam uma auto-imagem para fazerem parte e agradar um determinado grupo. A individualidade é nociva à sociedade atual, que busca cada vez mais, massificar o consumo, o pensar e o agir. As diferenças não desunem o seres humanos, simplesmente realçam o valor de cada individuo e dão a devida importância a um imenso coletivo, o dos humanos que, felizmente, não é uma massa homogênea. Todas as pessoas têm suas virtudes e seus defeitos, estes é preciso superar e/ou conviver com eles e esses precisamos estimular, exercitar. Quando somos crianças as diferenças nos fascinam, mas aos poucos vamos aprendendo a exercer nossa crueldade a partir delas, influenciados pelo "mundo adulto". É na adolescência que conhecemos totalmente a imposição de nos sentirmos "aceitos pelo grupo". E temos "vergonha" de não termos os mesmos dons, qualidades e aparência daqueles que são considerados "normais" ou pior "populares".
Leis, costumes, tradições, dogmas, etc, são feitos para cercear o agir das pessoas...é claro que são necessárias "normas" para o convívio em sociedade, mas desde que um agir não venha a prejudicar outras pessoas. É justo forçar alguém a se reprimir? Até o fato de ser "canhoto" não era considerado algo "certo" há algum tempo atrás e tentavam "corrigir". Além das diferenças físicas e psíquicas, as diferenças de opções e de agir também "incomodam" muito. Muitas pessoas limitam-se a vida toda, por isso não admitem que outras usem a liberdade que eles próprios não se permitem! "Se eu não posso agir como eu quero, os outros também não vão poder". Quantas pessoas já foram excluídas ou pior mortas por serem diferentes, por agirem diferente, até por crerem
em um outro Deus, etc; quantas guerras por causa da intolerância? Trazendo para o universo pessoal, quantas vezes não fomos deixados de lado por sermos diferentes, e quantas vezes também excluímos os outros por estas diferenças? O respeito é uma via de mão dupla, por isto liberdade e/ou individualidade não servem como desculpa para se fazer coisas que venham a agredir fisicamente ou moralmente outras pessoas, mesmo que muitas vezes não seja este o objetivo.
Cada um tem sua forma de contribuir para que o mundo seja um pouco melhor e que as pessoas jamais sintam vergonha, ou qualquer constrangimento, simplesmente por serem elas mesmas."

Por: Luiz Eduardo F. da Silva - Cientista, Sociólogo e musico.
Fonte: Fanzine Cena Hardcore, nº 6 (parte integrante da coletânea HC Scene 6)

 
+ Parceiros