Kick out the Punks 

Me enoja ver como alguns (muitos) pivetes por ai acham que são alguém pelo simples fato de ter uma banda. Você tem uma banda? Grande merda, qualquer idiota é capaz de ter. Os Pistols provaram isso. Sua música tem X downloads no tramavirtual? Foda-se. Tambem posso passar o dia clicando na minha própria música lá. Seu flog é gold? Enfia ele no cú. É só pagar 15 reais e sair assinando por ai que também ganho 100 comentários por dia. A comunidade do Orku tá bombando? Cago e ando pra isso. É só mandar todos os meus amigos entrarem sem saber do que se trata. Tudo isso hoje em dia é status, é mais importante do que a única coisa que realmente importa: a música. Moleques que ontem assistiam Xuxa, hoje desfilam de cabelinho desarrumado e se acham roqueiros. A banda faz rimas pobres em letras mediocres sobre amor,e ele diz que toca "rock pauleira". Acham que são melhores do que os outros por tocarem em lugares porcos pra um público médio de 100 pessoas. Me poupem! Hardcore não é isso. Rock não é isso. Se você tem banda, faça música, bote pra fuder, cause, sangre e sue, mas não se ache melhor que ninguém. Mas nem meus ouvido, nem meus olhos são pinico. Percebi que de uns tempos pra cá vem faltando humildade nas bandas nacionais, não em todas, mas em algumas, principalmente as mais novas. E não é nada de arrogância blasé à lá irmãos Gallengher, o que temos é uma coisa filha da puta mesmo. Vale tudo pra estar por cima, mentir, roubar, só matar que ainda não chegamos lá, mas de resto, é tudo pela fama. Felizmente a "fama" dessas bandas é descartável, um ou dois discos e já era. É tudo moda, é tudo passageiro, quanto mais alto, pior a queda. Sinto saudade da época em que a "cena" era forrada de amizades, de festas, curtição, até putaria, hoje em dia só vejo lama, dinheiro, mentira e falcatrua. Não é discursinho "no meu tempo era melhor", porque meu tempo é hoje, nosso tempo é todos os dias que acordamos e vivemos, mas é inegável a inversão de valores. Chega de superficialidade, de style, de ser preza. É só rock'n'roll (mas eu gosto!). Mesmo com acesso infinito à informação, o pessoal de hoje é preguiçoso, e fia cuspindo teorias internéticas. Quantos e quantos moleques de cabelo espetado existem por ai hoje só porque viu uma foto do Casualites na internet e resolveu fazer igual? E quantos skinheads mirins existem, usando camiseta Lonsdale, doc martens e tudo mais possível de se comprar via internet, sem saber nenhum fundamento do "Spirit of 69"? É claro, tem o emo, que usa gravatinha, olho pintado e acha que e cool sair fantasiado de My Chemical Romance pra ir pra escola às 7 da manhã. Quer se fantasiar? Faça-o, mas faça com conteúdo, pois duvido que nos casos acima, o punk sabia que e Crass, o skinhead sabia quem era George Marshall e o emo não ache que Mineral é algo da aula de biologia. Nos casos dos emos desinformados, eles fazem bandas, maqueiam daqui, maqueiam dali, mas a verdade e que so consegue ser é mais uma variação de CPM22, ou pior, um grupelho com urros guturais/rasgados pra soar radical. Com essa banda ao invés dele aprender, respeitar os mais velhos, não, ele se acha, acha que é o rei da cena, afinal, ele tem aquele vans importado de estrelinha, aquela gibson irada assinada por algum bam bam bam das seis cordas. Onde esta o tesão de tocar por tocar? Qual é o problema em falar em coisas simples que as mães ensinaram tipo: "por favor", "obrigado"? Por que caralho você clama por espaço pra tocar e não põe a mão na massa e abre um espaço? Por que quer que eu te entreviste? Faça seu próprio jornal, site, revista, porra! Tá certo que este papo do-ir-yourself esta manjado e é chavão pra fazer moral, mas é o que esta faltando junto com a humildade nessa molecada, é atitude. A fama virou objeto principal entre 80% das bandas novas, todos querem ser o mais style, o mais vendido, o mais baixado, o mais adorado, mas eles não pensam que as bandas que duraram , que realmente são as mais style, que mais vendem, que mais tem downloads e adoradas são as sinceras e com conteúdo. Clamo pela volta da humildade, da amizade, da capacidade de se ir num show e lá conseguir trocar umas idéias, informações, discutir sobre musica (ou cultura pop em geral, ou política ou qualquer coisa interessante). Clamo pela "cena", pelo trabalhar junto, construir uma biosfera onde podemos viver sem tanta futilidade e batalhas por status. Chega de fofoca, chega de banalizar a música punk ( seja ela hardcore, emotional hardcore, ou qualquer ramificação). Como se diz aquele "emo" da TV: "Dignidade já" (afinal Leão Lobo é "emo-new-school", usa camisa cor-de-rosa, é fofoqueiro e é uma celebridade frustrada)."

Por Wladimyr Cruz - www.zonapunk.com.br
Fonte: Jornal Antimidia, ano 6, nº 17, Março 2006

 
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